Imagens de acidente interrompem reunião que avaliava setor

Representantes de entidades do setor de turismo reuniam-se para discutir os problemas do sistema aeroviário

Cláudia Ribeiro, do estadao.com.br,

17 de julho de 2007 | 23h33

Uma reunião marcada para a tarde desta terça-feira, 17, entre representantes de entidades do setor de turismo para discutir os problemas do sistema aeroviário no País, na sede da Fecomercio, em São Paulo, nem chegou a ser concluída. As imagens do acidente com o Airbus A320 da TAM procedente de Porto Alegre, com 176 pessoas a bordo, interrompeu o encontro. O avião derrapou no Aeroporto de Congonhas, atravessou a Washington Luiz e bateu num prédio da companhia aérea num posto de gasolina do outro lado da avenida.Veja também: Os acidentes mais graves da aviação brasileira Galeria de fotos Tudo sobre o acidente da TAM  O objetivo da reunião era preparar um documento detalhando as falhas do sistema aeroviário, que têm prejudicado os negócios no setor de turismo. Este documento seria entregue ao presidente da Fecomercio, Abram Szajman, e, depois disso, enviado para as autoridades do setor aéreo. "A conclusão não poderia ser mais horrorosa", disse Mauro Schwartzmann, presidente do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais (FAVECC), que participava da reunião. Ele avalia que este acidente, assim como o ocorrido com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, foi motivado por grave falha na infra-estrutura do setor. "As agências têm cobrado medidas do governo, mas está claro que não existe comando. A estrutura dos aeroportos hoje no Brasil é criminosa", disse. Schwartzmann destacou que este acidente poderia ter sido facilmente evitado, se as condições "reais" do aeroporto tivessem sido levadas em conta. Ele citou uma derrapagem que aconteceu na segunda-feira, 16, com um avião da empresa Pantanal. "Como liberaram uma pista nestas condições?", pergunta o presidente da FAVECC. No dia 29 de junho, foi concluída a reforma e liberada a pista principal do aeroporto de Congonhas pela Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). Isso ocorreu sem "grooving", procedimento que coloca ranhuras no solo para melhorar o escoamento da água e evitar derrapagens. Apesar de não serem obrigatórias, as ranhuras normalmente são feitas para dar mais segurança nos pousos. Impacto no turismo - Ele acredita que mais uma vez o turismo será afetado. Contudo, evita fazer previsões. "Não sei como as coisas ficarão. Só sei que estamos vivendo o caos. Estamos em um país continental, com fraca malha ferroviária e rodoviária. O sistema aéreo acaba sendo o único meio rápido de locomoção, mas é impossível nestas condições."  O presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens de São Paulo (Abav-SP), Juarez Cintra, que também estava na reunião, concorda. Segundo ele, "o momento é de consternação, não de análise". Mas os números do turismo já mostram a retração do setor frente aos problemas no sistema aeroviário do País. De acordo com dados da Abav-SP, o turismo doméstico (venda de pacotes) apresenta movimento 35% inferior nas férias de julho deste ano, na comparação com mesmo período de 2006. Já os pacotes internacionais apresentaram crescimento de 20% no mesmo período. Neste caso, o atrativo tem sido a valorização do real frente ao dólar. Só no final do ano passado, depois do acidente da Gol, a Abav calculava que a perda de receita com pacotes de final de ano que não foram vendidos era de R$ 1 bilhão. Passagens da TAM - A empresa aérea TAM continua vendendo passagens aéreas. É possível adquirir bilhetes de vôos partindo de Congonhas logo no início da manhã de quarta-feira, 18. Para esta terça-feira, não há passagens disponíveis, já que o aeroporto está fechado em função do acidente.

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