Imagem mostra PM agredindo fotógrafo em manifestação

Sebastião Moreira trabalhava na cobertura do protesto contra a Copa

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2014 | 23h51

Um vídeo divulgado na internet com imagens da invasão do Hotel Linson, na Rua Augusta, centro de São Paulo, pela Tropa de Choque na noite do último sábado, mostra um policial militar agredindo com um tapa na cabeça o repórter fotográfico Sebastião Moreira, da agência internacional EFE. Ele trabalhava na cobertura do protesto contra a Copa, estava sentado no chão, carregava uma câmera fotográfica nas mãos, uma identificação profissional no pescoço, e usava máscara de gás.

Moreira reclamou com outro policial mostrando o crachá profissional. O autor do vídeo também questiona a conduta a um outro PM, que pede para ele se afastar da entrada do hotel, onde a polícia fazia revista e prendia manifestantes refugiados no saguão. "Eu tô pedindo por favor. Sai do raio de atuação da gente aí. Depois toma na cara e não sabe por quê", disse o PM.

A reportagem não conseguiu falar com Moreira na noite desta quarta-feira, 29 A assessoria da Polícia Militar informou que desconhecia o episódio e que o fotógrafo deveria formalizar uma queixa na Corregedoria da corporação para que a conduta do policial seja apurada. O Estado encaminhou o vídeo para a PM por e-mail.

Baleado. O estoquista Fabrício Chaves, de 22 anos, baleado durante protesto de sábado por PMs, afirmou nesta terça, 28, em depoimento à Polícia Civil que só tentou atacar com um estilete os PMs que atiraram nele após ser atingido por um tiro. Os policiais afirmavam que agiram em legítima defesa depois de serem ameaçados por Chaves.

A declaração à polícia foi feita na UTI da Santa Casa, onde Chaves está internado. O grupo Advogados Ativistas, que até ontem representava o estoquista, considerou o depoimento ilegal por ser colhido com o jovem ainda sob efeito de medicamentos. Segundo a Secretaria da Segurança, as declarações foram feitas na presença de médicos e familiares, e assinado pelo defensor público Carlos Weis. Nesta quarta, a família de Chaves destituiu o grupo Advogados Ativistas da defesa do rapaz, que será feita pela Defensoria Pública.

O advogado ativista Daniel Biral disse que foi ameaçado de morte na segunda-feira para que desistisse da defesa. A ameaça não foi registrada.

Marina. A Rede Sustentabilidade, partido que ex-ministra Marina Silva tentou criar, repudiou ontem a ação da polícia durante o protesto.

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