Iluminação será o alvo de nova fase do Cidade Limpa

Iluminação será o alvo de nova fase do Cidade Limpa

Prefeitura pretende estabelecer regras para iluminação de prédios comerciais privados, pois vê abusos após a proibição de anúncios

Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

24 Março 2010 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo pretende implementar uma segunda fase do programa Cidade Limpa, enquadrando a iluminação noturna de prédios privados de uso comercial, que terão uma potência máxima permitida para as luzes de suas fachadas.

"Queremos definir padrão, cor e parâmetro máximo de luminosidade", afirma a arquiteta Regina Monteiro, diretora de Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). Quando o projeto estiver pronto, segundo ela, o texto será enviado à Câmara Municipal.

A medida foi a maneira encontrada pela administração para coibir abusos que passaram a ocorrer depois que a Lei Cidade Limpa baniu anúncios da paisagem urbana. Para chamar a atenção dos consumidores para o negócio durante a noite, comerciantes começaram a iluminar as fachadas de forma exagerada.

"A valorização do edifício, que deveria vir em primeiro lugar, ficou em segundo plano em detrimento à do negócio", afirma a diretora de paisagem. "Não há uma lei que proíba, mas já imaginou se todo mundo resolver colocar luz de néon na porta do estabelecimento?", questiona.

Análise. Um desses casos já está em análise na Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão ligado à Emurb que julga infrações e exceções à Cidade Limpa. Trata-se de uma loja de cosméticos na Liberdade, onde o proprietário envidraçou toda a fachada e instalou uma iluminação interna potente.

A partir desse caso emblemático, segundo a arquiteta, a administração passou a repensar que tipo de iluminação noturna a Prefeitura quer para a cidade. "O que não pode mais é cada um acender quanto quiser. Desse jeito, um vai querer chamar mais a atenção do que outro e a cidade chegará a um ponto em que haverá poluição noturna de luzes."

Outro exemplo é do Jockey Club, segundo ela, depois que imensos cartazes de anúncios foram retirados dos muros da Marginal do Pinheiros após a Cidade Limpa. "O que se sobressaiu foi uma iluminação muito forte para aquele local", diz.

No ano passado, a Emurb mapeou quantos prédios na Avenida Paulista, na região central, que usam esse tipo de artifício por causa dos negócios. "Apenas 20% deles usam as luzes para iluminar e valorizar as formas dos edifícios", diz a diretora.

Regina Monteiro lembra que muitos países, como França e Espanha, já definiram o tipo de iluminação noturna que pode ser utilizada pela iniciativa privada na paisagem pública. "Um planejamento de iluminação valoriza a cidade à noite", afirma.

PARA ENTENDER

1.

O que vai mudar na iluminação externa?

A Emurb vai propor regras para a iluminação dos edifícios, que deverá valorizar a fachada

2.

Por que a Prefeitura vai estabelecer as regras?

A decisão foi tomada, diz a administração, após prédios comerciais começarem a usar iluminação de uma forma que valorize os produtos e não as fachadas

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