Ilhas de calor explicam altas temperaturas em São Paulo

Sistemas de alta pressão inibem a entrada das frentes frias; desmatamento intensifica fenômeno

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 21h27

SÃO PAULO - As altas temperaturas na cidade de São Paulo nos últimos dias - que culminaram nesta sexta-feira, 17, no recorde histórico de 37,8°C - são resultado de um forte e abrangente sistema de alta pressão da atmosfera, combinado com o fenômeno das ilhas de calor urbanas, segundo a meteorologista do Inmet Helena Turon Balbino. Ela afirma que o sistema de alta pressão pode ser intensificado pelo desmatamento.

“O sistema de alta pressão da atmosfera faz o ar descer de níveis mais altos para as camadas mais próximas do solo. O movimento descendente do ar inibe a entrada de frentes frias”, disse ela. 


A abrangência e a intensidade atuais do sistema de alta pressão não são comuns nesta época do ano, segundo Helena. No entanto, o efeito da ilha de calor faz com que ele perdure. 

De acordo com a meteorologista, quando há cobertura vegetal, as raízes profundas das árvores retiram água de lençóis subterrâneos e umedecem a atmosfera. Mas, por causa da diminuição da cobertura vegetal natural, provocada pela urbanização, a atmosfera fica mais seca e o clima mais estável e quente do que o normal. 

“A ilha de calor promove o aumento da temperatura e os picos de calor”, afirmou. As altas temperaturas e o ar seco, segundo ela, favorecem um círculo vicioso ao deflagrar queimadas que deixam o ar mais seco e que diminuem ainda mais a cobertura vegetal.

“A umidade que normalmente vem da Amazônia está sendo deslocada para o oeste, em direção à Cordilheira dos Andes, produzindo muitas chuvas no Rio Grande do Sul e no Uruguai, por exemplo. Assim, o sistema de alta pressão da atmosfera continua atuando sobre grande parte do País, com as chuvas deslocadas para suas bordas”, explicou Helena.

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