ILHABELA RETOMA VIDA APÓS ASSALTO

Moradores tentam superar trauma de 'piratas'

ILHABELA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h02

O assalto de "piratas" que desembarcaram em Ilhabela na madrugada de terça-feira não abalou o sossego na pacata vila da Rua do Meio, onde ficam restaurantes, o centro histórico e o píer da cidade de 30 mil habitantes. "Se eles aparecerem de novo, eu entro na minha cabine e finjo que estou dormindo", diz Alceu Antunes, vigilante contratado pela prefeitura para ajudar na segurança do centro.

Foi do lado da cabine onde Antunes trabalha que cerca de 20 bandidos desceram com fuzis, explodiram cinco caixas eletrônicos de dois bancos e fugiram 20 minutos depois com R$ 226 mil, em três lanchas. A vida boêmia da cidade, porém, parece não ter se abalado com a inesperada violência.

"Aqui sempre foi muito seguro, continuamos com mais liberdade do que em qualquer outro lugar de São Paulo", diz Esdras Costa, paulistano de 40 anos, proprietário de uma choperia na Rua do Meio.

Na noite de quinta-feira, dois dias após o assalto, Ilhabela tinha turistas pelas ruas, moradores conversando na frente das casas e o comércio ficou aberto até a meia-noite.

Na sexta-feira ensolarada, já havia fila com 40 minutos de espera na balsa de São Sebastião para Ilhabela, por volta das 15 horas. "Imagine se eu vou parar de vir para a praia por causa de assalto. Se fosse assim, já teria saído de São Paulo há muitos anos", diz a farmacêutica Roseane Tavares, de 41 anos, moradora da Saúde, na zona sul.

"Tenho casa aqui desde criança. Nunca imaginei um assalto desses, mas não é sitiando a ilha de polícia que a coisa vai ser resolvida", afirma Roseane.

Dois PMs fazem a segurança do centro, onde aconteceram os assaltos. Uma outra base da corporação fica ao lado da balsa.

Há 12 anos dono de um restaurante em Ilhabela, do lado da Caixa Econômica Federal, que foi explodida pelos bandidos, o empresário Aparecido Leite, de 48 anos, diz não acreditar que mais policiais vão evitar novos assaltos. "Os bandidos desceram em 20, com fuzis. Mesmo que fossem dez PMs aqui na base, o assalto aconteceria do mesmo jeito", diz o empresário.

A Polícia Civil ainda não prendeu nenhum suspeito pelo crime. Como houve assalto a uma agência da Caixa, a Polícia Federal também investiga o caso. / D.Z.

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