Ilegais fogem do 'rapa' para não ter produto levado

Ordem é correr para não ficar no prejuízo; com avanço de eventos gastronômicos, expectativa é seguir outras regulamentações adotadas pelo mundo

ADRIANA FERRAZ , CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h03

Carrinhos de pipoca, de espetinho de carne e de espigas de milho já fazem parte do "mobiliário urbano" de São Paulo, especialmente nas saídas de estações de metrô e na porta das escolas, seja na periferia ou em bairro de área nobre. Como em qualquer outra metrópole do mundo, as ruas da cidade oferecem de tudo a quem está com fome. A diferença é que o cardápio paulistano é fora da lei. Sem regulamentar a venda, quase tudo é proibido.

Quem desobedece as normas corre o risco de ter a mercadoria apreendida. É por isso que não raramente pipoqueiros e vendedores de sorvete são vistos a passos largos nas grandes avenidas, fugindo do "rapa". Quando a polícia chega, a ordem é correr para não ficar no prejuízo.

Há mais de 50 anos, Egídio Gonçalves da Silva, de 67, vende pipoca nas ruas da capital, mas cada vez em um ponto diferente. Já levou seu carrinho para os Jardins, para a região da Avenida Paulista e da Rua Frei Caneca. Atualmente, fica nas proximidades do Mackenzie, na Vila Buarque, região central. Mas pensa em parar. "Já não se vende mais pipoca como antes. E eu não tenho o mesmo pique", diz.

Quanto mais idoso, mais difícil é burlar a fiscalização, ampliada na gestão Gilberto Kassab (PSD). Policiais militares, contratados pelo Município para coibir ambulantes por meio da Operação Delegada, têm limpado as ruas de barracas ilegais. A ordem é desobstruir as calçadas.

Na contramão, surgem cada vez mais na cidade eventos gastronômicos que valorizam a comida de rua e levantam a bandeira da regulamentação, desde que haja controle das autoridades sanitárias e pagamento de taxas. No mês passado, uma feira culinária promovida por chefs renomados atraiu mais de 3 mil pessoas, com quitutes a até R$ 20.

O foco é seguir exemplos internacionais, como Nova York, que não só regulamentou a comida de rua, como trata bem seus ambulantes. Um exemplo é o Edifício Starrett-Lehigh em West Chelsea, que oferece gigantescos elevadores de carga para ajudar os carrinhos a chegarem aos andares mais altos. Lá, eles se posicionam em halls de concreto nos pisos superiores do prédio comercial de 81 anos e 19 andares e servem seus quitutes aos funcionários e seus convidados.

Em Nova York, para poder vender comida na rua é necessário obter autorização do Departamento de Saúde. O interessado passa por um curso de oito horas, a um custo de US$ 53. Depois de a licença ser aprovada, é necessário pagar taxa anual de US$ 50. Veteranos de guerra ou viúvos de pessoas que morreram em combate, além de pessoas com o certificado da Associação de Comerciantes local, estão isentos do pagamento.

Virada. Já em São Paulo, apesar das discussões, a Prefeitura não tem um projeto formulado para o tema. A administração municipal só libera a prática em datas festivas, como a Virada Cultural. Mas a procura por opções gastronômicas, que causou confusão na edição deste ano, já motiva o estudo para uma Virada Gastronômica./ADRIANA FERRAZ, CAMILA BRUNELLI e GUSTAVO CHACRA

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