Igreja se desculpa por parar Dutra; PRF quer apuração

Polícia diz que foi avisada de público de 30 mil pessoas, mas 6 mil ônibus foram ao evento. Templo tem alvará provisório

NATALY COSTA , VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h04

A Igreja Mundial do Poder de Deus - cujo megatemplo inaugurado anteontem parou a Rodovia Presidente Dutra por mais de seis horas e isolou o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos - manifestou-se por meio de sua assessoria e disse "lamentar muito o ocorrido". A Polícia Rodoviária Federal (PRF), porém, afirmou já ter preparado um relatório para enviar ao Ministério Público federal cobrando as providências cabíveis.

Uma guerra de números agora é a justificativa da confusão que se alastrou em plena volta do feriado de ano-novo. No Twitter, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da igreja, comemorou os "mais de 2 milhões de pessoas que puderam acompanhar de perto" a abertura do templo.

A PRF, por sua vez, reclama por ter sido avisada de um público de apenas 30 mil fiéis. "Não sabíamos nem que haveria ônibus com passageiros", disse a inspetora-chefe da PRF, Luciana Rocha, referindo-se às caravanas que estacionaram em duas faixas da Dutra, no acostamento, nos canteiros e na Rodovia Hélio Schmidt, que dá acesso ao aeroporto.

À prefeitura de Guarulhos, a igreja disse que esperava dois mil ônibus de passageiros - o que já daria 90 mil pessoas.

Nas contas da Secretaria de Transportes, não menos que seis mil ônibus chegaram à Dutra, fora os carros e as pessoas que vieram de outros países, como Angola. E pelo menos 300 mil pessoas compareceram ao "1.º Milagre", nome pelo qual a inauguração do templo, chamado de Cidade Mundial, estava sendo anunciada.

A prefeitura disse ainda que o alvará de funcionamento do templo é provisório - vale 90 dias, a contar de 1.º de janeiro. Além dos números subdimensionados de público e ônibus, a administração culpou "a forte chuva que caiu no domingo" e o excesso de veículos por causa da volta do feriado" pelos transtornos de domingo. Mas o próximo evento na Cidade Mundial já tem data para ocorrer: dia 13, uma sexta-feira, às 23 horas.

"Isso não pode se repetir. Nem que a igreja tenha de ser fechada", afirmou Luciana Rocha, da PRF.

Transtornos. Moradoras da rua de trás da igreja, Maria do Socorro e sua filha Cleide Herculano ficaram presas em casa das 15h até as 23h do domingo por causa do tumulto. "Vi crianças passando mal e gente desmaiando", afirmou Cleide. No muro dos fundos da igreja, foram feitos buracos, passagens improvisadas para os fiéis que não conseguiam deixar o local pela porta principal, tamanha a quantidade de gente tentando sair ao mesmo tempo. "Pessoas de cadeira de rodas e muletas passaram pela abertura no muro. Abri minha casa para oferecer água para elas", contou Cleide.

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