Igreja se desculpa por bloquear Dutra, mas PRF quer apuração

Polícia diz que foi avisada de público de 30 mil pessoas, mas 6 mil ônibus foram ao evento. Templo tem alvará provisório

O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h05

A Igreja Mundial do Poder de Deus - cujo megatemplo inaugurado anteontem parou a Rodovia Presidente Dutra por seis horas e isolou o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos - manifestou-se por meio de assessoria e disse "lamentar muito o ocorrido". A Polícia Rodoviária Federal (PRF), porém, afirmou já ter preparado um relatório para enviar ao Ministério Público Federal cobrando providências.

Uma guerra de números agora é a justificativa da confusão que se alastrou em plena volta de feriado. No Twitter, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da igreja, comemorou os "mais de 2 milhões de pessoas que puderam acompanhar de perto" a abertura do templo.

A PRF, por sua vez, diz ter sido avisada de um público de apenas 30 mil fiéis. À Prefeitura de Guarulhos, a igreja disse que esperava dois mil ônibus de passageiros - o que já daria 90 mil pessoas. Nas contas da Secretaria de Transportes, seis mil ônibus chegaram à Dutra - e estacionaram no meio da rodovia, nos acostamentos e nos canteiros, instaurando o caos. A Prefeitura disse ainda que o alvará de funcionamento do templo é provisório - vale 90 dias, a contar de 1.º de janeiro. "Isso não pode se repetir. Nem que a igreja tenha de ser fechada", diz a inspetora-chefe da PRF, Luciana Rocha.

Moradora da rua de trás da igreja, Cleide Herculano ficou presa em casa até 23h do domingo por causa do tumulto. "Vi crianças passando mal e gente desmaiando ", afirma Cleide. / NATALY COSTA E VALÉRIA FRANÇA

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