Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Igreja no Cambuci serviu de trincheira em 1924

Maior conflito armado da capital teve como palco a Nossa Senhora da Glória, no Cambuci

O Estado de S. Paulo

21 Novembro 2015 | 17h20

Quem entra para uma missa na Igreja da Glória talvez nem imagine que ela já foi um cenário de guerra. A centenária construção, erguida entre 1884 e 1893 no alto de uma colina do Cambuci, foi ponto estratégico na revolução de 1924 na capital paulista.

O movimento, comandado pelo general Isidoro Dias Lopes, teve como trincheira justamente a igreja, que oferecia uma visão privilegiada da região. Dali os tenentistas queriam forçar o presidente do estado, Carlos de Campos, a fugir para o interior e a depor o então presidente Arthur Bernardes.

A Igreja Nossa Senhora da Glória acabou sendo alvo de granadas e bombardeios por parte do governo federal e estadual. Uma das torres acabou destruída, o altar foi avariado e uma das paredes externas sofreu perfurações.

A chamada "Revolução Esquecida" não deu certo e os sobreviventes dos ataques fugiram para o sul do Brasil, unindo-se a Luís Carlos Prestes na chamada Coluna Prestes. Isidoro Dias Lopes ainda participaria das revoluções de 1930 e 1932. Ele morreu no fim da década de 1940.

A trincheira passou por algumas reformas até voltar a ser uma igreja. Ela foi ampliada, ganhando uma sacristia, o altar mor e a capela do Santíssimo. A casa paroquial foi reformada. Em 1925, a torre teve o revestimento trocado para zinco. Em 1968, para alumínio.

Primórdios. A Paróquia Nossa Senhora da Glória e São Joaquim foi inaugurada no ano de 1893. A ideia original era abrigar a sede da confraria de Nossa Senhora da Glória, assim como ocorria no Rio de Janeiro. Não vingando o plano, a família de Eulália Assumpção e Silva terminou a igreja ao estilo gótico e a doou à Mitra do Arcebispado de São Paulo, que abriu o templo para a população.

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