Igreja mantém excomunhão de padre que defende união gay

Padre Beto é acusado de cometer heresia por suas opiniões; ele diz que não vai se retratar e que decisão não muda sua vida

Chico Siqueira, especial para O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2014 | 16h22

BAURU - O padre Roberto Francisco Daniel, conhecido como Beto, de Bauru, interior de São Paulo, foi declarado oficialmente excomungado pela Igreja Católica. O comunicado da Diocese de Bauru, distribuído neste sábado, 15, diz que, após mais de um ano analisando o caso, o Vaticano decidiu confirmar a excomunhão, iniciada em abril do ano passado, em Bauru, e levado ao Vaticano em julho do mesmo ano.

O padre é acusado de cometer heresia e de ferir os dogmas da fé religiosa ao divulgar na internet suas opiniões sobre o tratamento dado pela Igreja Católica aos temas sexuais e ao casamento. Em vídeos e entrevistas, padre Beto critica a Igreja por manter uma posição retrógrada sobre a relação de parceiros bissexuais e do mesmo sexo e sugeriu ser a favor da segunda união após o primeiro casamento.

No comunicado deste sábado, o padre Tiago Wenceslau, que presidiu o processo de excomunhão no Brasil, diz que a decisão da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, confirmando a excomunhão, foi tomada em 14 de outubro deste ano, mas não explicou por que demorou mais de um mês para fazer o comunicado oficial no Brasil.

Segundo ele, com a excomunhão, padre Beto não pode mais realizar nem participar das celebrações da Igreja Católica. "Portanto: o referido padre não pode mais celebrar nenhum sacramento ou sacramental da Igreja Católica e nem os receber e fica privado de quaisquer ofícios ou encargos na Igreja", diz a nota.

O comunicado também informa que os casamentos realizados pelo padre após a decisão da Igreja estão invalidados e pede aos fiéis que "não participem de possíveis atos de culto que forem celebrados pelo referido padre", mas que rezem pedindo que padre Beto peça perdão e se reconcilie com a Igreja Católica. À decisão não cabe recurso, mas a punição pode ser retirada se padre Beto se retratar publicamente das suas opiniões.

Ao tomar conhecimento da decisão, padre Beto disse que já esperava por ela e não pretende se retratar, embora vá continuar usando o nome de "padre". Ele também disse que já tinha decidido deixar a Igreja mesmo antes da decisão, a qual "não muda nada" em sua vida.

Tudo o que sabemos sobre:
BauruPadre BetoVaticanoreligião

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.