Igreja do século 18 vai ganhar muros de vidro no centro

Reforma em templo da Ordem Terceira, que inclui restauro de portas e janelas, deve mudar paisagem no Largo de São Francisco

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h51

A partir de janeiro, a paisagem do Largo de São Francisco vai começar a mudar. Muros de vidro, pintura renovada e portas e janelas restauradas tomarão o lugar da fachada danificada da Igreja da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco das Chagas, que fica ao lado da Faculdade de Direito, no centro de São Paulo.

A restauração do visual da igreja é a segunda fase de uma obra que já recuperou o telhado e a estrutura do edifício. Mas as intervenções não devem ficar por aí. No futuro, a intenção é transformá-la em centro cultural, com exibição de todo o acervo da igreja e criação de sala de concertos de música barroca.

Segundo a arquiteta Rosana Delellis, até agora o público não conseguia ver o que estava sendo modificado no restauro. "A obra de estrutura é muito difícil de fazer porque não aparece. Temos de compatibilizar o antigo com o novo e lidar com um prédio muito frágil."

Com paredes de barro e rede elétrica precária, a igreja mantinha estrutura do século 18. Construída em 1736, no lugar de uma capela de 1634, ela passou por ampliações ao longo do tempo, incluindo uma comandada por Frei Galvão. No século 19, personalidades contribuíram para sua manutenção. Como Rafael Tobias de Aguiar, patrono da Polícia Militar, enterrado no local.

Surpresa. Durante a restauração, a equipe se deparou com pinturas, esculturas, instrumentos musicais e documentos que fazem parte do acervo da igreja, mas estavam "escondidos". "A riqueza artística desse espaço é enorme e a integridade de tudo estava em risco por causa da degradação da estrutura", diz a também arquiteta Fabíola Domingues. "Começamos a reforma pelo telhado, que era a mais complicada, e depois fomos trabalhando outras questões, como piso, paredes e eletricidade." O edifício não tinha interruptores - a distribuição de energia era feita por caixas de eletricidade.

Foi aí que surgiu a ideia do centro cultural, projeto que ainda precisa de captação de recursos. Para Rosângela Delellis, é essa ocupação que garantirá a preservação da igreja no futuro. "Por meio da recuperação da estrutura física, queremos trazer a comunidade para usar o espaço e, assim, mantê-lo."

Segundo o especialista em arte sacra e colaborador do projeto Percival Tirapeli, o acervo da igreja é um reflexo da história da São Paulo colonial e imperial. Os objetos, muito distintos, foram armazenados ao longo dos mais de 240 anos de história.

"É interessante que temos de um dos sete órgãos históricos do País a imagens barrocas e toalhinhas bordadas pelas mulheres que frequentavam a igreja", conta. Ele diz que, por ser administrada por leigos, a igreja abrigou o que existia de mais contemporâneo em cada um dos períodos.

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