Igreja desautoriza reitor da PUC sobre compra de hospital

Segundo Arquidiocese, nem cardeal nem secretários executivos da Fundação São Paulo sabiam da negociação

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

A Arquidiocese de São Paulo informou ontem que a Fundação São Paulo, mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não tem interesse em comprar o imóvel que abrigou o Hospital Umberto Primo - antigo Hospital Matarazzo - e que o reitor da instituição, professor Dirceu de Mello, não tem autonomia para fazer nenhum negócio, nem mesmo assinar um contrato de locação, sem sua autorização.

Qualquer decisão a ser tomada pelo reitor dependeria da assinatura de dois secretários executivos e procuradores da Fundação São Paulo - os padres João Julio Farias Junior e José Rodolfo Perazzolo. Além disso, o contrato teria de ser aprovado pelo Conselho Superior da Fundação São Paulo, integrado pelo seu presidente, o cardeal arcebispo d. Odilo Pedro Scherer, e por seus bispos auxiliares, depois de ouvidos os Conselhos Administrativo, Universitário e Fiscal da PUC-SP.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Arquidiocese, nem o cardeal nem os secretários executivos da Fundação sabiam que o reitor estava em negociações para eventual ocupação do terreno do Hospital Umberto Primo até 2 de junho, quando o Estado publicou a notícia. Os contatos com a Previ, continuados depois por um grupo envolvido na suposta compra do imóvel, começaram em abril de 2009, conforme informou o reitor. Em entrevista na segunda-feira, Mello revelou que um grupo, cujo nome não forneceu, havia comprado o imóvel e proposto à Universidade a cessão, por venda ou aluguel, de parte da área.

Os secretários executivos da Fundação São Paulo, ainda segundo a Assessoria de Imprensa da Arquidiocese, observaram que seria estranho se a PUC, instituição de propriedade da Igreja Católica, viesse a funcionar com cursos de graduação e pós-graduação ao lado de um conjunto comercial, com hotel e lojas. O reitor havia informado que a Universidade ocuparia cerca de 9 mil metros quadrados, correspondentes a um terço da área.

Desmentido. A Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) nega que o terreno tenha sido vendido a um grupo de investidores, desmentindo assim informações do reitor. Em 2 de junho, a Arquidiocese informou em nota que o imóvel havia sido vendido (pela Previ) a uma "entidade até agora sem vinculação com a Fundação São Paulo" e o reitor da PUC desenvolvera "com a entidade que adquiriu o imóvel tratativas para integrar a Universidade, em atividades a serem implementadas no local, com vistas à expansão de seus cursos, em projetos que vão ao encontro do que a comunidade local vê como útil à preservação do significado social do imóvel". Ontem, Mello não quis comentar o assunto.

PONTOS-CHAVE

PUC

Mantida pela Fundação São Paulo, a PUC foi fundada em 1946 e tem seis câmpus na

capital. Na área do hospital, seria instalado um outro, para cursos e "atividades culturais".

Hospital

Inaugurado em 1904, o Hospital Umberto Primo chegou a ter o maior atendimento gratuito do Estado em 1910 e 1920. Comprado pela Previ, o complexo foi praticamente abandonado em 1999.

Inquilinato

O reitor da PUC, Dirceu de Mello, afirmou que a instituição não comprou o complexo, mas que estaria em entendimentos para ocupá-lo como inquilina ou em forma de comodato

Negativa

O cardeal arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC, d. Odilo Scherer, também divulgou nota negando a compra. A PUC, afirmou, apresentará "oportunamente" a proposta oferecida.

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