Idosa morre em incêndio no subsolo de prédio no Rio

Edifício não tem sistema de portas corta-fogo nas escadas de emergência

Clarissa Thomé e Felipe Werneck,

23 de julho de 2007 | 20h56

Um incêndio que começou no subsolo do Edifício Rio Paraná, na Rua Visconde de Inhaúma n.º 134, no centro do Rio, matou a dona da agência ITER Viagens e Turismo, Beatriz de Gusmão Selasco, de 66 anos. Ela trabalhava no 15.º andar do prédio comercial. "Não tinha luz de emergência nos corredores. As pessoas não conseguiam sair e os bombeiros demoraram", afirmou um dos funcionários da agência no Hospital Souza Aguiar, no centro, para onde Beatriz foi levada em estado grave. Intoxicada pela fumaça, sofreu uma parada cardíaca. O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, disse que houve uma explosão no subsolo do prédio, provavelmente provocada por um curto-circuito nos relógios de luz de alta tensão da casa de máquinas. "Não teve fogo nos escritórios, só no subsolo. O maior problema que tivemos foi a fumaça, que subiu pela escada e pela galeria do elevador." Funcionários em pânico foram orientados a subir para o terraço. Cerca de 2 mil pessoas entram e saem por dia do prédio. Outras vinte e duas pessoas foram atendidas no hospital. O caso mais grave foi o de Beatriz, que já tinha problemas respiratórios , segundo funcionários. Juliana Riquelme, de 34 anos, trabalhava no 18.º andar e contou que o fogo começou por volta das 14 horas. Ela disse que houve um curto-circuito e a fumaça começou a tomar conta do edifício, que tem 21 andares. "Eu estava no 18º andar e desci até o 13º, mas não agüentei mais. Procurei uma sala com pouca fumaça e esperei até as 17 horas para ser retirada pelos bombeiros", contou, com muita dificuldade para falar. Patrícia Martins, de 23 anos, disse que também tentou descer. "Mas estava tudo escuro. As pessoas estavam muito nervosas; ninguém conseguia sair. Decidi voltar e fiquei numa varanda no 16º andar." Código de Segurança O edifício não tem sistema de portas corta-fogo nas escadas de emergência. "Os administradores do prédio serão notificados", afirmou o coronel Machado. O objetivo é fazer com que a estrutura seja adequada ao Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico, que é de 1976. "O prédio foi construído antes da criação do código, provavelmente na década de 60. Eles terão que se adequar." Uma perícia feita no local deverá apontar as causas do incêndio. O trabalho de resgate das vítimas mobilizou 20 ambulâncias. Além das 23 pessoas levadas para o hospital, outras sete foram atendidas no local e liberadas. Os administradores do prédio não foram localizados.

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