Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Idosa morre após ser atropelada diante de hospital em Higienópolis

Número de homicídios culposos no trânsito também subiu na capital nos 5 primeiros meses do ano em relação a 2010

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2011 | 00h00

Estela Schechner, de 91 anos, morreu na noite de anteontem, após ser atropelada quando atravessava a Rua Conselheiro Brotero - na faixa de pedestre na frente do Hospital Samaritano, em Higienópolis, na região central. Ela foi mais uma vítima da violência no trânsito paulistano. Na capital, o número de mortos em acidentes ainda é menor que o de pessoas assassinadas, mas o índice aumentou de um ano para o outro. No primeiro trimestre de 2011, os homicídios culposos no trânsito subiram de 146 para 159, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Estela andava de bengala e estava ao lado da acompanhante Elizabete de Souza Cordeiro, que também foi atropelada, mas passa bem. Elas foram atingidas na tarde de quarta pelo Pajero dirigido pela advogada Marisa Correa Pinto Sanna, de 70 anos, que tinha a carteira de habilitação vencida e dirigia o carro da filha. Sua família informou que ela perdeu o controle do veículo ao sair do estacionamento do hospital - o sinal estava verde para pedestres.

"Por ironia, ela queria atravessar antes da faixa, mas eu disse que podia perder a vida", conta Elizabete. Nascida na Romênia, Estela havia ido visitar o marido, Majer Schechner, de 98.

Embriaguez. "Quantos inocentes precisam ser mortos por motoristas irresponsáveis para que as autoridades comecem a fazer alguma coisa?", questionou a professora de português Iraci Aparecida Siqueira, de 49 anos, mãe de Jaqueline Aparecida Braz Siqueira, de 19 anos, outra vítima da violência no trânsito. A secretária morreu após ser atropelada por um motorista acusado de embriaguez ao volante no Jardim São Luís, zona sul, na madrugada do dia 11.

O comandante-geral da PM, Alvaro Camilo, diz que um dos fatores para o aumento de casos pode ser o uso de álcool. Outro problema, afirma, é a quantidade de veículos precários na periferia. O namorado de Jaqueline, o atendente Juan Diego Solpicio, de 22 anos, que testemunhou o acidente, lamentou o fato de não ter blitze da lei seca na região. "O medo de ser pego nessas blitze faria o motorista pensar duas vezes antes de beber."

Pessimismo. Já o médico Dirceu Rodrigues Alves Junior, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), disse que não se surpreende com o aumento nos casos de homicídios culposos no trânsito. "Enquanto não houver medidas drásticas, esses casos só vão aumentar." / COLABOROU GIO MENDES

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