Idosa morre afogada em casa ao salvar os netos

Na terça, córrego invadiu a casa de Antônia Grande, de 64 anos, em Mauá. ''A água vinha de todo lado'', conta vizinho

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

Moradores de Mauá, no ABC paulista, ainda não se conformavam com a morte da aposentada Antônia Avelaneda Grande, de 64 anos, na enchente do Córrego Corumbé, no Jardim Zaíra. Antônia se afogou dentro de casa no fim da tarde de anteontem, após uma forte chuva atingir a região.

A aposentada estava com o marido e dois netos em casa quando começou a chover, por volta das 17h30. Em menos de uma hora o córrego transbordou e a água invadiu o imóvel.

A água saía da Rua Francisco D"Aoglio e invadia a sala. "Vinha água de todos os lados", lembra o vizinho José Lima Canuto, de 52 anos. "Quando ouvi os gritos dela, arrombei o portão e entrei na casa amarrado a uma mangueira. Entrei pela sala e, quando cheguei na cozinha, a água estava no meu queixo. Não consegui encontrar a dona Antônia."

A aposentada foi atingida pela parede da casa vizinha que desabou por causa da correnteza e foi encontrada embaixo da geladeira. Ela tinha colocado os netos de 4 e 12 anos sobre a mesa para proteger das águas. Antônia foi a quinta vítima das chuvas neste ano no Jardim Zaíra.

Faxina. Depois da enchente, os moradores tiveram de lidar com a lama, o lixo, os móveis perdidos e medo de que uma outra chuva viesse. Ontem, nas casas afetadas, foi dia de uma faxina que parecia não ter data para acabar. Em alguns imóveis, que fazem fundo para o córrego, a lama atingia uma altura de 50 centímetros no fim da tarde de ontem e tinha de ser retirada pelos moradores com baldes.

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