Diego Zanchetta
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Idosa e criança de 7 anos morrem em incêndio na Liberdade

Moradores dizem que curto-circuito em fiação precária provocou o fogo em pensão na Rua Sinimbu; outras três pessoas ficaram feridas

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 14h58

Atualizado às 11h45 do dia 30/10

SÃO PAULO - Duas pessoas morreram e três ficaram feridas após um incêndio atingir na manhã desta quarta-feira, 15, um cortiço na região do Baixo Glicério, na Liberdade, na região central de São Paulo. A idosa Valmira Jovina da Conceição, de 97 anos, olhava o pequeno Richard da Silva Lima, de 7 anos, enquanto sua mãe e a avó levavam a irmã maior, de 10 anos, na escola. Entre os cerca de 120 moradores, os dois foram os únicos que não conseguiram escapar quando as chamas atingiram o último andar do prédio.

O fogo se alastrou rapidamente velho edifício com mais de 80 anos e fiação precária. Por volta das 9h32, cerca de 60 bombeiros tentavam controlar as chamas. Eles conseguiram resgatar com vida três pessoas que tiveram queimaduras e foram encaminhadas ao Hospital Tatuapé. Mas, quando chegaram ao cômodo onde morava a idosa, o corpo dela e do menino estavam carbonizados. Eles estavam abraçados na cama, segundo os bombeiros.

"Ela saiu do hospital não faz nem 20 dias, Ficou quase um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com pneumonia e escapou para morrer desse jeito, queimada", chorava Maria do Socorro da Silva, de 54 anos, uma das filhas da idosa, que era portadora do Mal de Alzheimer. Ela era consolada pela avó do menino que morreu, Neuza de Lima, de 42 anos.

O clima na rua era de comoção. Cerca de 40 famílias que moravam na pensão perderam tudo e eram encaminhadas para abrigos da Prefeitura.

"Eu levava meu netinho todo dia pra escola. Hoje (quarta-feira) ele não quis ir junto levar a irmã pra escola, quis ficar com a 'vozinha'. Ela olhava a criançada pros pais darem essas saídas rapidinhas", lamentou Neuza.

Coleguinhas de Richard que estudavam com ele na Escola Municipal Duque de Caxias também tentavam entender o que havia ocorrido. 

A tragédia aconteceu em um lugares mais pobres do centro paulistano, onde até sete famílias dividem quartos alugados por R$ 400 em cortiços com condições muitas vezes insalubres. São muitos imigrantes nordestinos recém-chegados na cidade que vivem de bicos no centro e dezenas de refugiados do Haiti.

A família da idosa é de Guarabira, na Paraíba. A do menino veio de São Sebastião da Moreira, no interior do Paraná.

"Esse menino era muito alegre, gostava de futebol e bicicleta. A alegria dele era uma bola", lembrou Maria Goretti, de 55 anos, outra avó do menino. O pai de Richard está preso desde agosto do Centro de Detenção Provisória (CDP) Belém 2, na zona leste. Ele morava com a irmã de 10 anos e a mãe e a avó, que muitas vezes deixavam ele sob os cuidados de dona Valmira. Ela também ficava com crianças pequenas de outras famílias, segundo relatos de moradores.

Por volta das 15 horas, quando a perua do Instituto Médico Legal (IML) chegou para retirar os corpos da idosa e do menino do cortiço, houve forte comoção do lado de fora, com dezenas de pessoas se abraçando aos prantos. Quando o veículo saiu com os corpos, os moradores bateram uma salva de palmas e rezaram, abraçados, um pai nosso.

Investigação. O tenente-coronel José Eduardo Bexiga, do Corpo de Bombeiros, disse que os relatos de moradores apontam para um possível curto-circuito na fiação do prédio de quatro andares. Um inquérito aberto nesta quarta-feira no 1º Distrito Policial (Centro) vai investigar as causas do acidente.

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