Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Identificado corpo de Juan, o menino que comoveu o Rio

Baleado durante tiroteio em morro, ele foi encontrado dentro de rio

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2011 | 00h00

Depois de um erro da Polícia Civil do Rio, finalmente foi identificado ontem o corpo do menino Juan de Moraes, de 11 anos. Desaparecido desde 20 de junho, o caso do garoto comoveu a opinião pública carioca e ganhou espaço na mídia e nos principais jornais.

 

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O sumiço ocorreu após incursão de policiais militares do 20.º Batalhão de Polícia Militar (Mesquita) à comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ossada havia sido encontrada na quinta-feira da semana passada, no Rio Botas, em Belford Roxo, também na Baixada. No mesmo dia, a Polícia Civil divulgou tratar-se do corpo de uma menina.

Sindicância. A chefe de Polícia do Estado, delegada Martha Rocha, informou ontem, porém, que uma sindicância foi aberta para analisar os documentos emitidos pela perita do Posto Regional de Polícia Técnica e Científica de Nova Iguaçu. "Ela se precipitou", disse o diretor do Departamento Geral de Polícia Técnica e Científica (DGPTC), Sérgio Henriques.

A mãe do menino, a dona de casa Rosineia Maria de Moraes, de 31 anos, contou que voltava para casa com ele e o irmão, Wesley Felipe, de 14, quando foram surpreendidos por tiroteio em um beco, usado como atalho pelos moradores da comunidade. Wesley foi atingido no ombro e na perna e Juan desapareceu. Outro jovem que passava pelo local, Wanderson de Assis, de 19 anos, também foi baleado. Eles sobreviveram e foram incluídos no Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.

À época, o 20.º BPM confirmou a operação na comunidade e informou que houve troca de tiros entre militares - todos com envolvimento em várias mortes em confronto - e traficantes. Os quatro policiais militares envolvidos na ocorrência, de acordo com o batalhão, "nada sabiam" sobre o desaparecimento do menino.

Ontem, logo após a confirmação da morte de Juan, os quatro foram afastados pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte.

"Se ficar comprovada a participação deles na morte do menino Juan, serão expulsos da corporação e terão de responder à Justiça", disse Duarte.

Os policiais, que já haviam deixado de trabalhar nas ruas, foram transferidos do 20.º BPM para a Diretoria Geral de Pessoal (DGP), onde, segundo o comandante, ficarão sem nenhuma função, mas serão obrigados a comparecer ao trabalho e se apresentar ao superior.

Exame. O corpo, encontrado parcialmente imerso no rio, estava em avançado estado de decomposição. "A determinação de sexo, a partir de uma ossada, é feita por meio de algumas características dos ossos, bem ressaltadas em adultos, mas não tão acentuadas em crianças. O exame de DNA, por outro lado, não deixa dúvida", disse o diretor do DGPTC.

Segundo ele, material genético de Juan também foi encontrado em um chinelo que estava no beco onde teriam ocorrido os disparos. O calçado já havia sido reconhecido pela mãe do garoto. "Anteriormente, tínhamos apenas a informação testemunhal. Agora, temos a prova técnica que o coloca naquela cena de crime."

O chefe da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, Ricardo Barbosa, que comanda as investigações, afirmou que não pretende pedir de imediato as prisões dos quatro militares. Ele espera recolher novas provas na reconstituição que está marcada para amanhã, às 10 horas. "Temos mais de uma testemunha dizendo que Juan foi atingido nas proximidades do beco. Queremos saber como o corpo foi parar em Belford Roxo", disse.

Substituição de comando. A chefe da Polícia Civil também anunciou a substituição do delegado titular da 56.ª DP (Comendador Soares), Cláudio Nascimento. Ele conduziu as investigações sobre o desaparecimento inicialmente. O substituto só deve ser anunciado hoje.

PONTOS-CHAVE

Menino estava desaparecido desde o dia 20

20 de junho

Wesley de Moraes, de 14 anos, é baleado no Danon. Ele diz que viu o irmão Juan, de 11, ferido, mas a criança não vai para o hospital. PMs negam ter visto o menino.

30 de junho

O corpo de uma criança (que peritos dizem ser uma menina) é encontrado em Recantos, Belford Roxo. Família de Juan entra em programa de proteção.

6 de julho

Dois exames de DNA confirmam que o corpo encontrado no dia 30 é o de Juan. Quatro policiais que participaram da operação são afastados.

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