Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Ícones do art déco sobrevivem no Rio

Cidade abriga, neste mês, congresso mundial do estilo; aproveite e faça o seu roteiro

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O Guia Oficial do Rio, distribuído pela prefeitura em pontos turísticos, obviamente destaca o Cristo Redentor como principal símbolo da cidade, mas não informa que se trata da maior estátua art déco do mundo. Sede dos Jogos Mundiais Militares, da final da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, o Rio também pode ser um destino para interessados em boa arquitetura. Entre os dias 14 e 21, a cidade vai abrigar o 11.º Congresso Mundial de Art Déco. O encontro, que é bienal, será realizado pela primeira vez na América Latina.

Muito se perdeu, após décadas de especulação imobiliária voraz, mas vários ícones do estilo foram preservados, como a Central do Brasil (1937), o Cine Roxy (1934), o Bar Lagoa (1934) e os Edifícios Mesbla (1934) e Biarritz (1940). Há hoje no Rio mais de 300 construções art déco.

Marcado pelo geometrismo e pela simetria, o art déco teve seu auge no período entre as duas guerras mundiais. Foi um conjunto de manifestações artísticas que surgiu na Europa e se expandiu para as Américas, onde ganhou variantes como a marajoara, no caso do Brasil, de inspiração indigenista.

O lançamento formal ocorreu em Paris, na Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, realizada em 1925, mas há registros de obras isoladas antes dessa data.

Importância. "O art déco representa o primeiro grande triunfo ostensivo da produção e da tecnologia industriais sobre os modos de produção artesanais, assim como o movimento contracultural jovem dos anos 1960 assinalaria algo como uma reversão de expectativas, com um inesperado retorno do oprimido artesanal e a revalorização do campo e da natureza", escreveu Décio Pignatari em 1980, no livro Rio Déco.

Na introdução do livro, o primeiro a mapear a importância de construções como a Casa Cavé, da década de 1920, Luciano Figueiredo lamentava o fato de o fenômeno artístico não ter sido, até aquela data, reconhecido e incorporado ao patrimônio histórico e cultural da cidade.

Três décadas depois, o atual responsável pelo patrimônio cultural, Washington Fajardo, diz que a prefeitura está terminando estudos para tombar um conjunto de prédios. "É absurdo que isso não tenha acontecido antes. Mesmo sem a proteção de órgãos do patrimônio, em muitos casos se conseguiu manter a dignidade por ação de moradores. Mas precisamos corroborar."

Além de visitas guiadas, estão previstas várias palestras no congresso. Será lançado ainda no congresso o livro Rio de Janeiro Art Déco (Casa da Palavra). "O estilo nasceu depois da guerra. É uma arquitetura que te dá fôlego", diz o organizador do encontro, Márcio Alves Roiter.

Passeio. Marchand e pesquisador, Roiter sugere um roteiro que começa no Palácio do Comércio (1937), na Rua da Candelária, o maior prédio projetado pelo francês Henri Sajous, responsável por outros marcos da arquitetura no Rio e também em São Paulo, como o Jockey Club. A próxima parada é o imponente prédio do Tribunal Regional do Trabalho, antigo Ministério do Trabalho, inaugurado em 1936.

No Flamengo, Roiter indica o prédio São João, na Rua Senador Euzébio. O tour acaba no Lido, meca dos edifícios residenciais art déco. Ele destaca o Ribeiro Moreira (1928), primeiro "rasga céu" do bairro, e o Itahy (1932). Sobre o pórtico de ferro, a imagem de uma índia-sereia. "É a nossa Vênus de Milo."

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