IC descarta veneno nas 5 mortes de Ferraz de Vasconcelos

Bolo e suco consumidos por família encontrada morta foram analisados; polícia investiga vazamento de gás

LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h05

O Instituto de Criminalística (IC) constatou que não havia veneno no bolo nem no suco apreendidos no apartamento onde morreram uma mãe e quatro filhos em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A polícia espera agora o laudo para pedir o relaxamento de prisão do boliviano Alex Guidone Pedraza, de 33 anos, namorado da auxiliar de enfermagem Dina Vieira da Silva, de 42 anos, que morava no imóvel.

Pedraza teve a prisão temporária por 30 dias decretada pela Justiça a pedido da polícia - Dina havia registrado boletins de ocorrência contra o namorado por violência doméstica.

A polícia, no entanto, tem colhido provas que indicam morte acidental por causa do sistema de gás do apartamento. Uma análise do IC mostrou que existe um vazamento no aquecedor da cozinha que pode ter asfixiado Dina e seus quatro filhos, de 7, 11, 12 e 16 anos.

Uma testemunha que morou no mesmo imóvel deu um depoimento à polícia sobre a morte de seu marido no local, em 3 de junho. Cinco dias depois de se casar, Viviane Nascimento, de 20 anos, disse que passou mal no chuveiro antes de Lucas Nascimento, de 23 anos, morrer ao seu lado. No mesmo dia, ela também teve um aborto no sétimo mês de gestação.

A polícia poderá pedir à Justiça a exumação do corpo de Nascimento, a depender do resultado dos exames feitos pelo Instituto Médico-Legal (IML) nas cinco vítimas deste mês.

Ontem pela manhã, foi ouvida a filha de Pedraza e Dina, de 6 anos. Ela ainda não foi informada sobre as mortes na família. Segundo a menina, no sábado, dia 14, ela brincou com os irmãos na piscina. A menina disse que comeu dois pedaços do bolo. A mãe, segundo ela, havia reclamado do cheiro de gás e queria tomar banho na piscina.

Suspeita. Segundo familiares, no mesmo dia, Dina foi até a casa da sogra para tomar banho por causa do problema com o gás. O subsíndico do condômino disse à polícia que ela pretendia instalar um chuveiro elétrico e havia feito reparo no local por causa da suspeita de vazamento. Os corpos foram encontrados na terça-feira, dia 17.

O apartamento das vítimas fica em um condomínio residencial de classe média baixa e tem 44 metros quadrados. Segundo a polícia, o local estava fechado quando a porta foi arrombada por Pedraza, o subsíndico e um vizinho. As testemunhas dizem que havia cheiro de gás. Caso fique demonstrado que todas as mortes no imóvel foram provocadas por problema no aquecedor, a polícia deverá estudar se pode indiciar o proprietário ou a construtora do imóvel.

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