IC aponta falha técnica, e não blusa, como causa de pane que parou o metrô

Por causa de superlotação na hora do rush, passageiros da Linha 3 pressionaram porta, que emitiu falso alerta de abertura para condutor

Eduardo Reina, Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2010 | 00h00

A pane que levou à paralisação por mais de duas horas de 18 estações da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, prejudicando 250 mil pessoas no dia 21 de setembro, foi provocada por um problema técnico em um equipamento localizado acima das portas dos trens. É o que indica a perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC).

Havia a suspeita de ação criminosa no tumulto em pleno horário de pico da manhã. A direção do Metrô chegou a dizer que uma blusa havia impedido o fechamento das portas. No dia do incidente, o governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou que uma sindicância iria apurar se a pane foi acidental ou proposital. Ele chegou a admitir que falhas recentes no transporte público da Grande São Paulo preocupavam o Estado. E deixou no ar a hipótese de que a paralisação teria sido uma sabotagem, com cunho eleitoral. "Não sabemos a motivação pela qual você encontra uma porta que não foi fechada pela ação de alguém. Se foi casual ou motivado, se foi um acidente ou foi proposital, nós queremos saber."

Agora, com a conclusão da perícia técnica, Goldman deixou claro que o incidente foi provocado por pane técnica. "Em nenhum momento achei que fosse sabotagem. No trem lotado, alguém encostou no botão de abrir a porta e todos começaram a descer, já que o trem não andava", explicou, no dia 25. Técnicos do Metrô ainda estudam uma solução para o problema que, em tese, pode voltar a se repetir com a superlotação das composições.

De acordo com o governador, o laudo detalha que a superlotação de uma das composições próximo da Estação Sé fez um equipamento - denominado micro switch - emitir o sinal de porta aberta, para impedir o condutor de movimentar o trem. Esse aparelho deve impedir que a composição saia de portas abertas, mas também pode ser ativado se as folhas da porta forem pressionadas pelos corpos dos passageiros. Como o trem estava superlotado, a porta foi realmente pressionada, o que acionou o sinal.

A mesma superlotação pode ter feito o corpo de algum passageiro encostar no botão de emergência (mais conhecido como botão soco), que permite a abertura das portas enquanto o trem está parado. Em seguida, os passageiros começaram a descer para a linha, o que provocou o desligamento da energia elétrica para proteção dos usuários. "Aí os trens começaram a parar e todo mundo desceu para a linha", disse Goldman.

Danos só para fuga. No dia 21, o diretor de Operações do Metrô, Conrado Grava de Sousa, havia informado que uma blusa havia impedido o fechamento das portas. Mas a polícia não encontrou nenhum indício de que tenha havido um ato intencional de um sabotador para provocar a pane. Também concluiu, pelo menos preliminarmente, que todos os danos causados em 18 trens se deveram a tentativas de escapar das composições - e não se tratou de atos propositais.

Para a polícia, se o objetivo fosse provocar a pane, equipamentos como bancos e monitores de televisão dos trens também seriam alvo dos supostos agressores - o que não aconteceu. Apenas vidros foram quebrados. Dois dos trens danificados passaram por perícia. O restante foi consertado e voltou a operar no mesmo dia.

PARA LEMBRAR

Companhia já estuda trocar janela lacrada

A Companhia do Metropolitano de São Paulo já estuda trocar as janelas lacradas dos trens mais novos, que têm ar-condicionado, por modelos que poderiam ser abertos, como o Estado revelou na terça-feira. A medida evitaria que, em uma nova situação de queda de energia, os passageiros fossem obrigados a forçar a abertura das portas para fugir do calor e da falta de ar nas composições, o que atrasa ainda mais a retomada das operações.

Ainda não há, entretanto, definição de datas para a conclusão desse estudo nem cronograma para a troca das janelas. O Metrô não divulgou também detalhes do modelo que seria adotado.

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