Ibope: avaliação positiva da Prefeitura de SP cai de 46% para 28%

Nota média de avaliação da cidade, de zero a 10, foi 4,8; avaliação negativa da Prefeitura mais que dobrou

Gabriel Vituri e Renato Machado, do estadao.com.br,

19 Janeiro 2010 | 11h33

A aprovação da gestão de Kassab (DEM) foi fortemente abalada no último ano, segundo dados da pesquisa Ibope, encomendada pelo movimento Nossa São Paulo. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2009 e os resultados foram divulgados na manhã desta terça-feira, 19.

 

Em relação à pesquisa anterior, de novembro de 2008, passou de 12% para 26% a quantidade de pessoas que avalia a administração municipal como ruim ou péssima. Dentre os que a consideram ótima ou boa, o percentual caiu de 46% para 28%.

 

Os números coincidem com a queda nos índices de outros indicadores de bem-estar na cidade. Por exemplo, aumentou de 6% para 28% a quantidade de pessoas que afirma temer alagamentos.

 

Também apresentaram altas o receio em relação ao trânsito (16% para 18%), atropelamentos (7% para 13%), assaltos ou roubos (57% para 65%) e torcidas de futebol (6% para 11%).

 

Veja também:

documento Confira o resultado completo da avaliação de SP

blog BLOG DA GAROA: Você está contente com o trânsito?

 

 

A avaliação foi feita com base no IRBEM (Indicadores de Referência de bem-estar no Município), que compreende aspectos como saúde, transporte, habitação, meio ambiente, trabalho, espiritualidade, sexualidade, transparência e participação política, entre outros.

 

A nota média de São Paulo foi de 4,8 pontos numa escala de 1 a 10. A nota 1 significa estar totalmente insatisfeito; a nota 10, totalmente satisfeito.

 

A pesquisa do Ibope entrevistou 1.512 entrevistados, entre 2 e 16 de dezembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Um ano atrás, 53% afirmavam que não sairiam de São Paulo; em dezembro de 2009, houve uma inversão: 57% afirmaram que gostariam de morar em outra cidade, e só 41% preferem  ficar. "Há que se levar em conta que a pesquisa anterior foi feita logo após as eleições, então o clima era outro. Agora estamos vivendo as enchentes", diz a diretora executiva do Ibope Marcia Cavallari. 

 

No topo da avaliação ficou o quesito das relações humanas, com 6,5, seguido de religião e espiritualidade (com 6,3). O item trabalho também obteve nota acima da média, com 6,2, embora o número de entrevistados que consideram algum aspecto do trabalho bom ou ótimo não tenha passado de 25%.

 

Saúde e educação ficaram com uma média de 5,1 e 5,0, respectivamente. Mais de 60% acreditam que não há democracia na educação e 71% acham que o serviço para agendar consultas, exames e resultados nos sistemas de saúde é ruim ou péssimo. Os menores índices, por sua vez, ficaram com segurança (4,3), transporte (4,0), desigualdade social (3,9).

 

 

A nota mais baixa ficou com transparência e participação política (nota 3,3), revelando grande aumento no grau de insatisfação e impopularidade da administração municipal atual. A honestidade dos governantes foi avaliada por 92% dos entrevistados como ruim ou péssima, e a punição à corrupção e a transparência dos investimentos púbicos foram mal avaliados por 88%.  A nota para honestidade dos políticos foi de apenas 2,3.

 

"É interessante comparar esses indicadores com o plano de metas apresentado pela gestão municipal para ver se os interesses da população são atendidos, e as pessoas precisam acompanhar para ver se o plano de metas é cumprido", diz um dos idealizadores do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew.

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