Ibirapuera tem 164 ambulantes irregulares

Vendedores não têm autorização, apesar de estarem no parque há anos; secretaria diz que vai regularizar situação

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2011 | 00h00

O que vale para toda a cidade não vale para o Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Na contramão das ações de legalização de ambulantes que vêm sendo feitas nos últimos anos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), os 164 camelôs distribuídos em 1,5 quilômetro quadrado de área verde estão ilegais, apesar de muitos estarem ali há cerca de 30 anos.

Dos 64 parques municipais da capital, apenas o Ibirapuera - o mais movimentado de São Paulo - e o do Carmo, em Itaquera, na zona leste, permitem a atuação de camelôs. "No caso de locais públicos, a permissão de uso tem de ocorrer por meio de licitação e não por concessão", explica a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirmou que pretende regularizar a situação, mas não deu data para isso (leia ao lado).

Histórico. Em 2009, a Prefeitura reduziu pela metade o número de ambulantes autorizados nas ruas da capital. De 4.630 camelôs com Termos de Permissão de Uso (TPUs), 2.424 fizeram o recadastramento e 1.959 tiveram a licença cassada.

Após essa redução, o número de vendedores dentro do Parque do Ibirapuera passou a ser quase três vezes maior do que em toda a região abrangida pela Subprefeitura da Vila Mariana, distrito do parque, que inclui os bairros de Moema e Saúde, formado por 26,8 quilômetros quadrados, onde trabalham agora 61 ambulantes legalizados.

Alheios à polêmica de se regularizar o trabalho dos ambulantes no parque como no restante da cidade, frequentadores do Ibirapuera argumentam que a presença deles facilita a vida. Afinal, para quem usa a área verde para passear ou se exercitar é indiscutível a praticidade de consumir produtos dos ambulantes, em vez de ter de procurar uma lanchonete.

"O objetivo de quem vem ao parque para treinar é comprar água mineral ou água de coco para se hidratar em locais acessíveis, sem perda de tempo", diz o professor de Administração Simon Skarabone. "Não vou andar 1,5 km para comprar água, que é a distância de uma lanchonete para outra."

Segurança. A legalização do trabalho, diz a arquiteta Lucila, é um fator para aumentar a segurança do frequentador. "Com a legalização, há maior controle da atividade e das condições de higiene e do que é oferecido à população", comenta a arquiteta. " E essa omissão do poder público não tem justificativa aparente, já que eles sabem o número dos camelôs que lá trabalham."

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