Ibirapuera inicia a limpeza de lago

Contêineres foram instalados ontem à noite no parque e a transferência de peixes entre os espelhos d'água deve começar neste mês

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Começam hoje os preparativos para o desassoreamento do lago 1 do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. É a primeira vez que o local, o primeiro dos três espelhos d"água interligados que recebem as águas do Córrego do Sapateiro, passará pelo processo de limpeza desde que foi inaugurado, em 1954.

Como adiantou o Estado em outubro, 4 mil toneladas de detritos devem ser retiradas. Segundo a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a maior parte dos resíduos é areia. O trabalho vai durar quatro meses, a partir do início do processo de desassoreamento, e será feito pela empresa VA Saneamento Ambiental Ltda. - vencedora da licitação feita pela Sabesp com proposta de R$ 3,92 milhões.

Três contêineres com vestiário, refeitório e escritório foram instalados ontem à noite no parque e os equipamentos para a obra serão levados até sexta-feira. Na próxima semana serão retirados troncos, garrafas PET e outros resíduos mais aparentes e na semana seguinte será feita a transposição de peixes do lago 1 para o lago 2 - necessária para a sucção dos resíduos -, com montagem de barreiras que permitam a vazão de água e impeçam a volta dos animais. Em seguida, o lago 1 começa a ser desassoreado, no início de dezembro.

Um estudo feito pela equipe de biólogos contratados pela VA verificou a densidade e as características dos peixes, além da qualidade da água. "A contagem de peixes foi feita para ver se o lago 2 comportaria toda essa densidade a mais que iria entrar, para ver se o nível de oxigênio supriria essa necessidade dos peixes. Verificamos que é possível", afirma a gestora ambiental da VA, Fernanda Villas Boas Frediani, coordenadora do processo de desassoreamento. Segundo Fernanda, a qualidade da água será monitorada 24 horas durante a limpeza do lago.

Resultados. A Secretaria do Verde informou que o desassoreamento fará o curso d''água "ficar mais fluido, abastecendo os outros dois lagos de forma dinâmica". A pasta informou que em um segundo momento será feito um estudo para a revitalização dos três lagos, com levantamento das espécies existentes e camadas de sedimento.

"A vida aquática agradece (o desassoreamento) porque a lâmina d"água está bem baixa. O aumento da oxigenação acontecerá naturalmente com o aumento da profundidade", diz Fernanda. A profundidade do lago 1 vai de 0,4 m a 1,3m, enquanto a do lago 2 varia entre 1 e 3 metros e a do lago 3, de 80 cm a 3,20m.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) José Luiz Negrão Mucci, especialista na área de Limnologia, fez um estudo no lago em 1989, a pedido da Prefeitura. "Naquela época já estava bem poluído e contaminado. No relatório dissemos que a situação pioraria se nada fosse feito", conta. Negrão considera o desassoreamento positivo para retirar o excesso de matéria orgânica e ampliar a profundidade da água. "Mas para resolver o problema do lago é preciso diminuir ou parar a entrada de esgoto. Ainda há muitas ligações clandestinas."

A Sabesp informou que pelo Programa Córrego Limpo todas as ligações irregulares identificadas no Córrego do Sapateiro"foram solucionadas" e o programa Caça-Esgotos monitora a qualidade da água do córrego.

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