Ibirapuera ganha nove câmeras high-tech

Com giro de 360 graus, aparelhos permitem identificar rostos e placas de carro de longe

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2012 | 03h01

O Parque do Ibirapuera, na zona sul, ganhou suas primeiras câmeras de vigilância. Desde o mês passado, nove equipamentos com zoom de 2 quilômetros e capacidade de visualização em áreas de baixa luminosidade estão em funcionamento. Prometida no ano passado, a vigilância estava atrasada e era uma antiga reivindicação dos usuários do local.

O estacionamento do parque, ponto frequente de furtos de veículos, é um dos locais que passaram a ser monitorados pela central da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Por meio de um software israelense, ele detecta automaticamente quando alguém fica parado muito tempo ao lado de um carro e aciona um alarme na central. "Pode não ser nada, mas nós vamos verificar", afirma o inspetor Paulo Rogério de Souza, responsável pelo monitoramento.

Uma das câmeras está voltada para o prédio da Bienal e a outra para a Oca. Ainda há equipamentos perto dos portões 6, 7, 8 e 10. Os outros aparelhos ficam nas Avenidas Antônio Quiroga e República do Líbano e sobre o prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC), onde funcionava o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O inspetor Souza afirma que só o fato de as câmeras de vigilância estarem acionadas no parque já vai ajudar a coibir a presença dos criminosos no Ibirapuera.

O modelo do equipamento é o Speed Dome, com giro de 360 graus. A reportagem esteve na central da GCM e constatou que o equipamento possibilita a identificação de rostos e placas com grande nitidez.

Localização. Até o fim do ano, devem ser instaladas mais duas câmeras. Segundo a GCM, nenhuma delas ficará na região conhecida como "autorama", perto do portão 3, um ponto de encontro homossexual e alvo de reclamações de vizinhos por causa da concentração de pessoas fazendo sexo ao ar livre.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, afirmou que a ideia é não inibir os frequentadores do local. Segundo ele, a solução adotada para coibir práticas criminosas são rondas frequentes.

A falta de câmeras no autorama deve constar na pauta do Conselho de Segurança Comunitária da Vila Mariana. O grupo chegou até a cogitar entrar na Justiça para fechar o local. O presidente do Conseg, Edson Sant'ana, porém, comemora os novos equipamentos. "Quanto mais câmeras lá, melhor."

Vigilância. As câmeras são uma das armas preferidas da Prefeitura de São Paulo. A administração municipal usa esse tipo de equipamento para combater pontos viciados de lixo, vandalismo, camelôs e crimes.

Os equipamentos na região do Teatro Municipal, por exemplo, estão programados para flagrar pichações. "O alarme aciona sempre que detectar alguém fazendo um movimento similar ao da pichação", afirma Ortega.

A administração abriu consulta pública neste ano para a instalação de mais 500 câmeras nas ruas da cidade. Os equipamentos vão ficar em 166 pontos estratégicos de São Paulo. Entre os locais que serão monitorados estão as rotas de fuga da capital.

Para combater a pirataria, a Prefeitura pretende instalar mais 40 câmeras em viaturas e em motos da GCM. Os equipamentos poderão ser programados para procurar alvos específicos, como o veículo que tenha o logotipo de determinada empresa, por exemplo. A ideia é descobrir rotas usadas por grupos que controlam a distribuição de produtos piratas na cidade. A GCM pretende compartilhar as imagens gravadas com a Receita Federal e a Polícia Federal, que investigam esses grupos criminosos na capital paulista.

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