Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Ibirapuera: estacionamento vai custar R$ 10 a partir desta sexta-feira

Mudança foi feita por empresa que assumiu administração após concessão do parque para iniciativa privada; valor será de R$ 12 nos finais de semana

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 21h49

O estacionamento do Parque do Ibirapuera vai começar a funcionar com novos valores a partir desta sexta-feira, 6. O sistema de zona azul não será mais utilizado e os motoristas terão de pagar uma taxa única de R$ 10, sem limite de horas por dia, para estacionar no espaço. Aos finais de semana, o valor será de R$ 12.

A mudança foi realizada pela Urbia Gestão de Parques, que é a nova administradora do local, após reunião com o Grupo Indigo Brasil, empresa que vai fazer a gestão do estacionamento. Ficou definido que o valor será cobrado de veículos e motos e que a tolerância será de 20 minutos. O Ibirapuera teve a gestão concedida para a iniciativa privada no mês passado.

"A nova tarifa tem como objetivo fomentar a longa permanência dos frequentadores no parque, principalmente aqueles que se deslocam de regiões mais afastadas do centro-sul da capital, colaborando com a democratização do acesso", informaram, em nota conjunta, as empresas.

O Grupo Indigo disse que vai investir R$ 1 milhão em tecnologia e infraestrutura no espaço, que tem 1.080 vagas. Após o pagamento, o veículo poderá ficar estacionado durante todo o horário de funcionamento do parque, das 5h até 0h. Com zona azul, os usuários pagavam R$ 5 por duas horas e a permanência máxima era de quatro horas, totalizando R$ 10.

As novas regras não foram aprovadas por quem vai ao parque com frequência e precisa usar o estacionamento.

O publicitário Rogério Venturella, de 60 anos, vai ao parque três vezes por semana para se exercitar e se sentiu prejudicado. "Com zona azul, até 10 horas, não era cobrado nenhum valor. Cada cartão valia por duas horas e a gente ficava à vontade para se exercitar. Vou às segundas, quartas e sextas e corro por uma hora. Não vou mais."

Ele costuma ir de moto. "Acho que a privatização é legal. O parque está em uma zona nobre e precisa de uma atenção, mas deveria ser para limpeza, policiamento, pintura de pistas e sinalização. Carro e moto vão pagar o mesmo preço. No pedágio, a moto paga menos, porque vão cobrar R$ 10 em um parque e em um horário que não era cobrado? Já entraram com algo arrecadatório. Virou shopping center."

Venturella diz que a cobrança poderia ser feita por período de permanência, com fracionamento da taxa, para beneficiar os usuários. Ele acredita que o valor pode afastar frequentadores.

O Grupo Indigo informou que "ainda não há previsão de estudos a respeito" e que "o fato de haver cobrança estimula a busca por outras opções de transporte".

Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) disse que a zona azul no Parque do Ibirapuera funcionava, antes da concessão, por período máximo de estacionamento de 4 horas (1 CAD valia por 2 horas e 2 CADs valiam por 4 horas), das 10h às 20h durante a semana e das 8h às 18h nos finais de semana e feriados.

Concessão

Desde janeiro, a Urbia faz a gestão dos parques Tenente Faria Lima (Vila Sônia), na zona norte, e Lajeado (Guaianases), na zona leste, unidades que fazem parte do pacote de desestatização que engloba os parques Jacintho Alberto (Pirituba), na zona norte, Jardim Felicidade (Jardim Felicidade), na zona noroeste, e Eucaliptos (Vila Maria), na zona sul. O acesso continua sendo gratuito.

Até 20 de dezembro, a gestão será acompanhada pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), em um período de transição. A concessão inclui também equipamentos públicos localizados dentro do parque, como o Planetário, a Oca, o Auditório Ibirapuera, a Escola Municipal de Astrofísica e o Pavilhão das Culturas Brasileiras. Os demais, como o Museu Afro, o MAM, a Bienal e o Viveiro Manequinho Lopes, dentre outros, seguem com as atuais gestões.

Segundo a concessionária, R$ 80 milhões serão investidos em obras no parque nos próximos três anos, como reformas e restauro de espaços. A concessão é válida por 35 anos e teve como pagamento inicial à Prefeitura uma outorga de R$ 70,5 milhões.

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