Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Hotel Cambridge é desapropriado pela Prefeitura

Última festa no local ocorreu na sexta; governo vai transformar prédio em moradia para famílias de rendas média e baixa

Rodrigo Brancatelli e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

A inauguração de hotéis em São Paulo sempre esteve ligada ao desenvolvimento paulistano. Quando o Hotel Cambridge foi aberto, em 1951, na Avenida 9 de Julho, o local era sinônimo de sofisticação, um símbolo da metrópole em formação. A decadência do endereço também refletiu a deterioração do próprio centro, 15 andares que demonstram a degradação de todo um bairro.

Depois de uma batalha jurídica de quase um ano com os herdeiros do Cambridge, a Prefeitura depositou na semana passada R$ 6,5 milhões e agora espera apenas a remoção de alguns móveis para pegar as chaves do prédio, encerrando de vez as atividades do local. Finalmente desapropriado, o hotel estava fechado há quase nove anos, apenas com festas ocorrendo em seu bar - a derradeira balada foi na última sexta-feira. A ideia é transformar o antigo hotel em um edifício residencial para famílias de baixa e média renda.

Para a Prefeitura, esse capítulo final do Cambridge, o fechamento de um ícone, pode simbolizar uma outra transformação urbanística do centro histórico, ajudando a região a recuperar o seu requinte. Com 119 apartamentos, o antigo hotel vai agora fazer parte do projeto Renova Centro, programa do governo municipal que tem como objetivo construir 2,5 mil unidades habitacionais para famílias de até dez salários mínimos.

Reformas serão necessárias - no caso do Cambridge, corredores serão rearranjados e o edifício terá 115 unidades habitacionais, com cerca de 38 metros quadrados de área, além de um salão de festa para os futuros moradores e lojas.

História. Projetado pelo arquiteto Francisco Back e financiado pelo empresário Alexandre Issa Maluf, o Cambridge chegou a receber hóspedes como o cantor americano Nat King Cole. O fechamento ocorreu em 2002, mas o bar do Cambridge continuou recebendo festas como a Trash 80"s, a Autobahn, a Gambiarra e a Talco Bells - o saguão do hotel, por exemplo, foi transformado em pista de dança e a recepção virou bar.

O Decreto 51.237, de 4 de fevereiro deste ano, assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido), declarou o imóvel "de interesse social para desapropriação judicial ou adquirido mediante acordo pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) para implantação de programa habitacional".

Outros edifícios da região também foram escolhidos para dar lugar a prédios residenciais, inclusive sete hotéis, como o Cineasta, na Avenida São João - 91% deles são construções erguidas entre as décadas de 1920 e 1970. Os endereços foram selecionados com base em um estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que descobriu pelo menos 208 prédios desocupados no centro paulistano.

O Renova Centro está orçado em R$ 382 milhões - as primeiras unidades devem ser entregues a partir de 2013. O financiamento será feito por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que dá subsídio de R$ 52 mil para habitações destinadas a famílias que ganham até dez salários mínimos.

O projeto, no entanto, não dará conta de toda a demanda habitacional - de acordo com o Plano Municipal de Habitação da Prefeitura, a cidade precisará de quase 740 mil moradias até 2024. Seriam necessários cerca de R$ 58 bilhões ao longo dos próximos 14 anos para colocar o projeto em prática.

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