Hotéis investem em chá e mandarim para atrair chineses

Aumento de 48% dos turistas no País ainda faz estabelecimentos paulistanos oferecerem culinária oriental, ebulidores e roupões

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2013 | 02h05

No lugar do pão francês, das frutas e do café, arroz, frango xadrez e chá de jasmim. No quarto, roupão e chinelos extras e uma TV ligada no canal estatal chinês CCTV. Não se trata de um hotel do outro lado do mundo, mas de hospedagens paulistanas que se adaptam para receber os cada vez mais frequentes turistas chineses.

Dados do Ministério do Turismo mostram que os chineses estão vindo mais ao País. Números divulgados pelo governo revelam, por exemplo, crescimento de 48% dos visitantes de 2010 para 2011 - os números de 2012 não estão fechados. Mas é de olho nesse mercado em potencial que algumas empresas decidiram investir em pequenos detalhes que atraiam os clientes. "Com essa última especulação de crise que tivemos, resolvemos estudar o mercado oriental e focamos especialmente nos chineses", conta o gerente do Novotel Jaraguá, Luís Ricardo Rossi.

No Jaraguá, além do café da manhã com nove itens da culinária oriental, os quartos têm ebulidores para chá e o hotel oferece uma versão do principal jornal chinês impressa para o clientes, além de uma recepcionista que fala mandarim. "Todos os funcionários passaram por treinamento sobre etiqueta e costumes chineses. Aprendemos, por exemplo, frases-chave e a maneira correta de cumprimentá-los, entregar a chave do quarto, estabelecer o contato visual", explica Rossi.

No Pullman São Paulo Ibirapuera, o site oficial do hotel e cardápios de café da manhã, minibar e restaurante foram traduzidos. Como no Jaraguá, ebulidores, chinelos e o canal de TV passaram a fazer parte da lista de itens essenciais dos quartos. "É preciso que os clientes entendam que queremos recebê-los de braços abertos", afirma o gerente Carlos Bernardo.

Mercado promissor. A diretora executiva do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Ana Maria Biselli, afirma que cada estabelecimento analisa o que pode fazer para captar mais clientes. "O primeiro e mais importante é o hóspede se sentir acolhido", diz. "E sem dúvida há um crescimento relevante da procura chinesa, o que se reflete no mercado."

Especialista em turismo chinês no Brasil há mais de 15 anos, a proprietária da China Trip, Ercília Maynart, afirma que as agências especializadas também têm se proliferado para atender esse público. "Se no passado eu estava praticamente sozinha, atualmente inúmeras agências estão surgindo por aqui. É que o interesse em vir para o Brasil cresceu absurdamente", diz.

Segundo Ercília, a maior dificuldade ainda é, no entanto, encontrar guias e recepcionistas que falem mandarim. "O problema é que eles preferem pessoas nativas, se sentem mais seguros com eles."

Em parceria com a São Paulo Convention & Visitors Bureau, o FOHB elabora cursos de aprimoramento para seus associados. Um sobre a cultura árabe já foi dado certa vez e, segundo Ana Maria, um curso sobre orientais pode entrar em estudo. "É uma boa ideia se observarmos esse crescimento."

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