Hotéis faturam com visitas no fim de semana

Para o comerciante Paulo Freitas Bittencourt Vieira, dono do Grande Hotel Esplanada, o maior de Osvaldo Cruz, a criminalidade não parte dos presídios. "Ela é fruto do próprio crescimento da cidade e não tem nada a ver com os detentos", diz. "A cidade melhorou com o presídio; o comércio lucra com o dinheiro dos familiares dos presos e funcionários do lugar."

Chico Siqueira e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2011 | 00h00

Segundo Vieira, seu hotel recebe em média cerca de 60 hóspedes nos fins de semana que chegam para visitar parentes na penitenciária. Além das diárias, Vieira fatura com as causas dos detentos. "Sou advogado criminalista, pego causas dos familiares de presos." Já o agente João Eliarte Barbosa se mudou com a família para Osvaldo Cruz há nove anos, para trabalhar na penitenciária da cidade depois de atuar 11 anos no Carandiru. "Aqui é tudo mais tranquilo, não tem aquela agitação", conta.

Cidade encarcerada. Mas há locais com mais queixas na "Texas paulista". Quase a metade dos 2.863 moradores de Pracinha (a 575 km de SP), por exemplo, está detida. O presídio construído no município tem 768 vagas, mas conta hoje com 1.114 detentos. Os moradores dizem que, com a sua chegada, veio também a maconha e a cocaína. "A gente contava nas mãos quantos jovens usavam droga. Eram, no máximo, uns oito. Hoje, a gente sabe que tem mais de 40", diz Laurice dos Santos, mãe de quatro filhos - três meninos adolescentes e uma menina de 20 anos. "O pior é que, antigamente, os poucos usuários eram jovens adultos, hoje a gente sabe de crianças de 13 e 14 anos que fazem uso", completa. / C.S. e W.C.

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