Hospital pode abrir brecha para a verticalização do litoral norte

Prefeito de São Sebastião quer mudar lei para construir prédio de 10,6 metros de altura; votação na Câmara será amanhã

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2011 | 00h00

Moradores e poder público voltam a se enfrentar em São Sebastião (SP) em torno da ameaça de verticalização das praias do litoral norte. A polêmica da vez é a altura de um hospital público a ser construído em Boiçucanga.

Para tentar um acordo sobre o prédio, foi realizada ontem a segunda audiência pública sobre o projeto que altera a legislação atual e torna a obra possível. Foi a última chance de diálogo antes da votação na Câmara Municipal, que acontece amanhã à noite, em sessão extraordinária.

A lei de uso e ocupação do solo determina como limite para prédios na cidade a altura de 9 metros. O prefeito Ernane Primazzi (PSC) propôs a construção de um hospital com 10,6 metros de altura - que pode chegar a 15 metros, se for erguido o heliponto.

O terreno escolhido pela prefeitura é na Avenida Walkir Vergani, trecho da Rio-Santos. É a principal via da cidade e a mais congestionada. O argumento dos que se opõem ao hospital ali é de que no interior do bairro os terrenos seriam mais baratos e afastados do trânsito.

"Não somos contra o hospital. Na audiência, ficou claro que a comunidade quer o hospital, mas é contra a escolha do terreno", diz Ana Soares, vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de São Sebastião. "O absurdo é mudar a lei, abrir um precedente para a verticalização e ainda erguê-lo em um local ruim", completou. Regina de Paiva Ramos, vice-presidente da Federação pró-Costa Atlântica, afirmou que esta também é a posição da entidade.

O prefeito argumenta exatamente o oposto. "As ruas do bairro são estreitas. A avenida é a via mais larga e liga os bairros da Costa Sul diretamente." Ele se defende das acusações de que vai permitir a verticalização das 31 praias da região. "A alteração na lei é específica, apenas para a matrícula do hospital." Primazzi garante ainda que os dez vereadores estão do seu lado. "Quero oferecer um serviço para a Costa Sul. Se não quiserem, não faço. Eu moro no centro."

Juízo. [ ]O terreno em questão tem cerca de 3,5 mil metros quadrados e deve custar R$ 2,9 milhões - o preço ainda não foi definido pela Justiça e a prefeitura depositou o valor em juízo.

[/ ]O novo hospital pretende desafogar o atendimento no centro da cidade, já que a Costa Sul responde por 40% da demanda. A prefeitura já destinou R$ 7,5 milhões de seu orçamento de 2011 para a obra, estimada em R$ 15 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.