Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Hospital abandonado incomoda vizinhos

Prédio do antigo Panamericano está fechado desde abril; moradores temem desvalorização de imóveis e aumento do trânsito caso área seja vendida

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

Um dos mais conhecidos centros especializados no tratamento de doenças cardiovasculares de São Paulo, o Hospital Panamericano virou um elefante branco no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital, desde o seu fechamento, em abril. Trancado e abandonado, o local é usado apenas por jovens que estacionam o carro na calçada para conversar e beber de madrugada.

Moradores da região temem que a situação do prédio cause degradação na vizinhança ou que um novo empreendimento no local sature as tranquilas ruas do bairro.

"É uma situação sem solução fácil. Se fizerem um prédio residencial, vai ficar impossível trafegar. Se deixarem do jeito que está, vai acabar desvalorizando os outros imóveis", diz o advogado Matias Giglio, que mora há 16 anos em um mesmo sobrado no bairro. "Vira e mexe, nós ficamos sabendo de negociações para comprar o terreno, construir isso e aquilo, mas nenhum morador é ouvido ou informado de mudanças. Como tudo nesta cidade, daqui a pouco vão fazer um monstro lá e seremos os últimos a saber", afirma.

Negociação. A empresa Samcil, dona do hospital, enfrenta grave crise desde 2007 e recentemente teve de negociar sua carteira de clientes por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A turbulência se agravou em abril, após a morte do presidente do grupo, Luiz Roberto Silveira Pinto.

Segundo o Estado apurou, já ocorrem negociações para a venda do prédio. Um dos principais interessados seria o Hospital Israelita Albert Einstein, entre outros de São Paulo. O preço é o grande entrave - o valor do imóvel, entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, seria um dos problemas para o negócio, além das dívidas da Samcil no endereço.

Já para o mercado imobiliário, a compra do Panamericano seria ainda mais complicada, uma vez que o trecho da Rua Vitorino de Carvalho onde fica o hospital é uma zona estritamente residencial - isso proibiria a demolição do imóvel para a construção de um prédio, por exemplo. Na área, apenas casas térreas são permitidas pelo Plano Diretor Estratégico do Município. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, lojas ou mesmo centro comercial também seriam barrados pela legislação municipal.

A reportagem tentou contato com a Samcil, mas não obteve resposta. Já o Albert Einstein disse, por meio de sua assessoria, que não há negociações para a compra do imóvel no momento.

Enquanto não há decisão, o prédio do Panamericano segue totalmente fechado. "O nosso maior medo é de que outro hospital de grande porte compre o imóvel. E, aí, que a rua vire uma avenida com muito movimento", explica a administradora Fernanda Batista. Ela mora há um ano na mesma rua do hospital. "Aqui é um bairro residencial, só de casas, não aguentaria tanto trânsito."

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