Hospitais: o novo embate entre Haddad e Kassab Após reclamar de semáforos e escolas inacabadas, prefeito critica projetos parados na área de saúde, ao anunciar licitação de unidade de Parelheiros

Depois de uma semana tensa de troca de farpas com o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), o prefeito Fernando Haddad (PT) fez evento para anunciar que vai licitar neste ano o Hospital de Parelheiros, zona sul, uma das promessas do antecessor. Ele ainda criticou o fato de essa unidade e de outras duas estarem paradas.

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h04

"O importante é o seguinte: esses hospitais estão há dez anos (para serem construídos), não há nem sequer decreto de utilidade pública. Então, este ano vamos definir os terrenos, definir o projeto básico, definir o projeto executivo, licitar, licenciar e dar ordem de serviço", disse.

Haddad tem criticado com frequência a situação deixada por Kassab. Ele já afirmou estar "inconformado" com a situação da rede de semáforos da cidade. Também afirmou que crianças foram matriculadas em escolas inacabadas - o atraso ocorreu, segundo Haddad, porque Kassab diminuiu recursos para construção após a derrota de José Serra (PSDB) nas eleições.

Ontem de manhã, Haddad garantiu que não há crise e disse que ligou para o ex-prefeito no fim de semana. "Não tem havido críticas. Já falei inclusive com ele. Está tudo muito tranquilo", disse o prefeito.

Kassab, que já anunciou que será candidato a governador em 2014, reagiu à afirmação de Haddad sobre o fato de os hospitais não terem ficado prontos. "A unidade de Parelheiros, com 50 leitos, consta do projeto da PPP da Saúde que prevê outros 930 leitos, num total de 980. Não precisa de desapropriação porque a construção seria numa área municipal, onde funciona o PS Balneário São José", afirmou o ex-prefeito, em nota.

O petista, porém, mudou o modelo previsto. Vai desapropriar o terreno para o hospital e afirma que é necessário que ele seja maior que o previsto por Kassab. "Na minha opinião, esse número de leitos é insuficiente. Precisaríamos de um hospital geral. Então, estaríamos falando de alguma coisa superior a 180 leitos. Provavelmente, entre 220 e 250", disse o prefeito. No bairro, um outro terreno também será desapropriado para a construção de um terminal rodoviário.

Outros hospitais. Haddad afirmou que fará vistoria em breve na segunda unidade, na Brasilândia, zona norte da capital. Mas não deu prazo para a construção, assim como para o terceiro hospital, na Vila Matilde, zona leste. "Nosso objetivo é que a população tenha segurança de que nesse mandato os hospitais estarão garantidos", disse.

Números. Kassab disse que desapropriou os terrenos para os hospitais que prometeu e liberou o dinheiro para eles. Ele também defendeu sua gestão, afirmando em nota que ocorreram três inaugurações e uma municipalização de hospitais na cidade.

A Parceria Público Privada (PPP) de Kassab para a criação de 980 leitos parou por decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM). O ex-prefeito afirma, no entanto, que os leitos em sua gestão subiram 45%, passando de 2.210, em 2004, para 3.208.

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