Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Hóspede é acusado de mortes na Oscar Freire

Segundo polícia, jovem de 21 anos assassinou na segunda-feira modelo e analista de sistemas; tênis do suspeito foi achado no local do crime

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

O suspeito de matar a facadas na segunda-feira o analista de sistemas Eugênio Bozola, de 52 anos, e o modelo Murilo Rezende da Silva, de 21, foi hóspede do apartamento onde os dois moravam na Rua Oscar Freire, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Esta é convicção do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que divulgou ontem a identidade e imagens do suposto assassino. A polícia ainda não sabe a motivação.

De acordo com o DHPP, Lucas Cintra Zannetti Rosseti, de 21 anos, matou os dois na noite do dia 22, depois das 22 horas, e fugiu com o carro do analista, um Honda Civic prata. Bozola foi encontrado morto na cozinha e o modelo - que morava de favor havia cerca de quatro meses no apartamento do analista - estava no quarto. O assassino usou duas facas de cozinha e golpeou as vítimas na altura do pescoço e rosto. A reportagem não conseguiu contato com o acusado ou alguém que o representasse.

No dia dos assassinatos, vizinhos ouviram discussões, depois de um som de festa. "Não foi premeditado. Ele tentou desfazer-se das roupas e pegou o carro da vítima, coisas que poderia pensar antes. Deve ter havido uma discussão", disse o delegado divisionário do DHPP, Maurício Guimarães Soares.

No apartamento, a polícia achou o tênis de Rosseti - flagrado com o mesmo calçado que ele usava quando, com Bozola, foi filmado pelo circuito interno de uma pizzaria, no fim de semana anterior. Os dois, acompanhados de um terceiro amigo, foram à boate GLS The Week. "Ele tentou queimar as roupas, mas, como o cheiro chamou a atenção de vizinhos, colocou na máquina de lavar", diz o delegado Mauro Dias, que investiga o caso.

Na máquina de lavar, a polícia encontrou uma calça e uma camisa parcialmente queimadas, que pertenceriam a Rosseti, e uma toalha ensanguentada. Também havia vestígios de sangue em outros cômodos, além de na cena do crime, o que, para a polícia, indica que o assassino se feriu. O autor do crime escreveu com sangue nas paredes do apartamento as iniciais "CV" e "ZO" (de Comando Vermelho e zona oeste, respectivamente) e ofensas de caráter homofóbico - ato realizado apenas para despistar.

Fuga. A polícia acredita que Rosseti tenha retornado para Igarapava, no interior do Estado, onde nasceu. O veículo foi rastreado e a última informação era de que, às 5h43 da terça-feira, o veículo passou pelo pedágio de São Simão, na região de Ribeirão Preto. "A área tem muitos canaviais. Ele pode esconder-se com facilidade", disse o delegado.

Bozola era conterrâneo de Rosseti e foi quem o trouxe no último dia 14 para que ficasse em sua casa e conhecesse São Paulo. Segundo amigos de Bozola, Rosseti teve desentendimentos com Silva, que teria sido dopado antes de morrer. O modelo assassinado havia falado à namorada que se sentia mal e os investigadores encontraram no apartamento uma caixa de medicamento antidepressivo.

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