Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Hospedaria dos Imigrantes agora tem acervo online

Podem ser consultadas informações sobre os estrangeiros que chegaram ao local entre 1882 e 1973, além de cartas, mapas e outros documentos

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2011 | 03h04

Se você, como boa parte dos paulistas, tem um antepassado que passou pela antiga Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, saiba que está a um clique de distância de documentos que ajudam a contar a história de sua família. A partir de hoje, está no ar o novo site do Museu da Imigração, com todo o acervo da instituição, antes chamada de Memorial do Imigrante, digitalizado e disponível gratuitamente ao internauta.

No total, o www.museudaimigracao.org.br passa a abrigar 87.640 imagens históricas, 3.223 cartas, 2.824 mapas, 9.740 documentos iconográficos, 2.098 recortes de jornal e informações como nome completo, data de nascimento e origem dos cerca de 1,5 milhão de imigrantes que passaram pela hospedaria. "São estrangeiros que chegaram ao Brasil de 1882 a 1973", diz o responsável pela digitalização dos dados, Lauro Ávila Pereira, diretor de Preservação e Difusão de Acervo do Arquivo Público do Estado.

Solicitado pela Secretaria de Estado da Cultura, o Arquivo do Estado assumiu a hercúlea tarefa de digitalizar toda a coleção. "Nossa equipe, de 22 pessoas, levou seis meses para efetuar todo o trabalho", conta Pereira. Desde que o Museu da Imigração - cuja sede fica na Mooca, zona leste, no mesmo prédio que abrigou a Hospedaria dos Imigrantes - fechou para reforma, em julho do ano passado, esse acervo documental, aliás, está sob a guarda do Arquivo do Estado.

Orçada em R$ 7 milhões, a obra está prevista para ser concluída na metade do ano que vem, quando a instituição volta a ser aberta ao público.

Informações. O novo portal faz parte do projeto chamado Memória da Imigração. A ferramenta deve facilitar - e muito - a vida de quem busca informações sobre os antepassados, seja para saciar a curiosidade ou para solicitar uma cidadania estrangeira, por exemplo.

A Secretaria de Estado da Cultura vai apresentar o site - mostrando todas as sua funcionalidades e possibilidades - em cerimônia marcada para as 10h de hoje no auditório da Pinacoteca (Largo General Osório, 66, Luz).

Antes de digitalizar o material, o Arquivo do Estado fez a sua reorganização e intervenções de conservação e preservação documental. Todas as imagens foram escaneadas em alta resolução, para fins de arquivo, com uma réplica em formato mais leve, que é a disponível no site. "Com isso, garantimos não só a democratização plena do acesso a essas informações, como também conseguimos melhorar as condições de preservação desses registros", comenta Pereira.

Busca específica. Além de oferecer um campo de pesquisa geral - por localidade ou por período -, a ferramenta permite buscas específicas entre as categorias de documentos disponíveis: cartas de chamada, registros de matrícula, requerimentos da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, jornais - publicados por colônias de imigrantes entre 1886 e 1987 -, acervo cartográfico, como mapas e plantas de núcleos coloniais, e iconográfico - retratos de imigrantes, cartões-postais, fotografias de viagens e da antiga hospedaria.

A pesquisa com diferentes variáveis apresenta os resultados organizados em diversos critérios. Um exemplo: em registro de matrícula, pelo sobrenome é possível encontrar informações referentes à data de chegada, idade e familiares das pessoas que passaram pela Hospedaria de Imigrantes.

"Imagine só: são quase mil metros lineares de documentos que digitalizamos. Um acervo de valor incalculável, que ajuda a contar a história da formação de nosso Estado", afirma Pereira. E o melhor: agora é possível consultar esse material sem precisar marcar hora, sair de casa ou enfrentar o pó dos documentos.

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