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Hosmany quer ficar na Islândia para escrever autobiografia

Condenado a 15 dias de prisão, ele classifica a cadeia islandesa como um 'hotel 4 estrelas' e critica o Brasil

Mônica Aquino, estadao.com.br,

18 de agosto de 2009 | 15h41

O ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos quer continuar na Islândia para terminar sua autobiografia. Hosmany foi preso na semana passada ao tentar entrar no país usando o passaporte do irmão. Ele está foragido da Justiça brasileira desde o fim de 2008, quando saiu da cadeia no interior de São Paulo com o benefício da saída temporária de Natal. Condenado a 15 dias, ele classifica a prisão islandesa como um "hotel 4 estrelas".

 

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Na prisão, ele tem acesso à internet, iPod, televisão e atende ao telefone. Hosmany deve ficar preso até a semana que vem e diz que não há como comparar as prisões brasileiras com as do país. "As prisões brasileiras são verdadeiros infernos", diz. O médico se diz perseguido no Brasil e conta que procurou um lugar "onde pudesse ser aceito".

 

Hosmany nega que estava indo para o Canadá. Ele embarcou de Oslo, na Noruega, em um voo que iria para o país da América do Norte, com uma escala na Islândia. No entanto, diz que sempre quis ir para a Islândia. "Aqui tem uma energia fantástica", afirma.

 

Para chegar até a Islândia, Hosmany passou por vários países da Europa. Ele conta que comprou um Euroline pass, um bilhete que custa cerca de 230 euros e dá direito a viagens ilimitadas entre países europeus durante 15 dias. Antes de ir para a Europa, passou pela Guiana Francesa, onde visitou a Ilha do Diabo, antiga colônia penal francesa retratada pelo escritor Henri Charrière no livro Papillon.

 

O ex-cirurgião conta que não quer voltar ao Brasil. "Se o Brasil quiser me levar, me considere como um médico. Então me deixem ficar do mesmo jeito que o Lalau que dai eu volto para São Paulo. Se tiver segurança, para mim não tem problema. Mas eu não pretendo isso", afirmou, fazendo referência ao juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto. Lalau foi condenado por desviar quase R$ 170 milhões da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo e está preso em regime domiciliar.

 

Questionado sobre seu site, Hosmany não conta como faz para atualizá-lo e não comenta o conteúdo publicado. De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil não tem um acordo com a Islândia para a extradição de presos brasileiros. No entanto, o Itamaraty afirma que não é necessário este acordo e a extradição pode ser feita a partir de um pacto de reciprocidade para trazer o preso de volta ao Brasil. O pedido da prisão, no entanto, deve ser feito pela Justiça brasileira ao outro país.

 

Texto ampliado às 16h51 para acréscimo de informações.

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