Horto terá miniusina de energia elétrica

Outra PCH será construída na região de Mairiporã; vizinhos desconhecem projeto

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2011 | 00h00

Sob risco de novos blecautes, a Grande São Paulo está prestes a ganhar duas miniusinas hidrelétricas que podem amenizar um pouco os transtornos da falta de energia. Uma delas fica próxima do Horto Florestal, na zona norte da capital, dentro da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guaraú da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). A outra será no vertedouro da Cascata, no Rio Juqueri Mirim, região de Mairiporã, na ETA de Atibainha.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), da Secretaria Estadual de Energia, já concedeu o direito de uso dos recursos hídricos dessas duas estações de tratamento de água para geração de energia elétrica pela iniciativa privada. Para as obras terem início, falta a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) liberar a licença de instalação.

"Aguardamos agora a licença. A previsão é que possa sair em março ou abril", prevê o engenheiro Marcos Nascimento, diretor da Tecniplan, que vai construir e operar as duas usinas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também já liberou o projeto.

Com todas as licenças na mão, a concessionária prevê 16 meses de obras para a construção do sistema gerador de energia que vai aproveitar as quedas d"água. A previsão é de que entrem em operação em janeiro de 2013.

A energia gerada nessas duas PCHs poderá ser consumida nas comunidades vizinhas de onde estão instaladas. A utilização depende de leilão a ser realizado pela Aneel. Outras três miniusinas deverão ser criadas dentro do Sistema Cantareira, em locais ainda a serem definidos.

Surpresa. Moradores das áreas vizinhas desconhecem a proposta, apesar de o governo estadual trabalhar com a data de janeiro de 2013 para início das operações. Habitantes no Jardim Samambaia, em Mairiporã, localizado a quatro quilômetros de onde ficará a pequena central hidrelétrica (PCH) Guaraú, queixam-se dos constantes apagões no bairro.

Pegos de surpresa com a notícia, poucos se atrevem a opinar sobre o assunto. "Toda vez que chove a gente fica no escuro aqui. Isso é constante e perdemos a esperança de que possa ser resolvido o problema. É só cair a luz que demora duas, três ou até cinco horas para voltar", queixa-se a comerciante Roseline Oliveira, de uma casa de material de construção.

Quem mora nas proximidades da entrada da ETA Guaraú, no lado da capital, também ignora o projeto. Menos afetados com blecautes, moradores no Jardim Pedra Branca não sabem dizer se a PCH será boa ou ruim. A preocupação maior é com a construção do Trecho Norte do Rodoanel, previsto para passar nas proximidades.

"Aqui quase não falta luz. O problema mesmo é o Rodoanel que vai passar lá em cima", diz o aposentado Clovis Fernandes, que mora na Rua Maria Ribeiro de Jesus, a 500 metros de onde ficará a miniusina. A dona de casa Michele Borsatti arrisca dizer que uma usina de geração de energia elétrica perto de casa pode ser bom. "Por ser tudo perto, estação de água e usina, é melhor. Mas o que a gente ganha com isso?"

Mais barata? "Só ouvi falar que vai ter obra aqui. Espero que não acabe com a diversão e a pesca do pessoal. Agora, se for ter mais energia elétrica, que seja mais barata", diz Carlos Rodrigues Sampaio, de um quiosque próximo do vertedouro Cascata, onde ficará outra PCH.

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