Horas de fila provocam cansaço e desespero

Homem que esperava atendimento tentou invadir o posto da zona oeste e foi impedido por seguranças; Casv fechou com pessoas do lado de fora

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

Ânimos alterados, cansaço e, em alguns casos, desespero. Era esse o clima ontem na porta do Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (Casv) do Consulado Americano no Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. As pessoas que se acumulavam na porta não reclamavam apenas das horas de espera sob o sol. Elas se queixavam também da total falta de informação e previsão de quando terão de volta o passaporte, com ou sem visto.

O carioca Sergio Fróes, de 48 anos, piloto de companhia aérea, está há dois meses sem poder voar. Ele entregou seu passaporte no consulado em 26 de setembro e até agora conseguiu apenas respostas automáticas pelo site para aguardar que entrem em contato.

"Liguei várias vezes, mas eles não dão informações. Então resolvi vir pessoalmente", conta Fróes, que pegou uma senha às 7h15 para um horário no começo da tarde. Às 16h40, ele ainda estava lá, esperando.

A situação de Danielle Aguiar, de 34 anos, não é melhor. No dia 24 de outubro, ela deu entrada no pedido de visto. Desde então, perdeu três viagens importantes de negócios. "Trabalho com relações internacionais, por isso tenho de sair tanto do País", explica Danielle, que pela quarta vez foi pessoalmente ao Casv. "Sempre que venho, perco o dia de trabalho."

Pouco metros à frente, Edilson Rodrigues dos Santos, de 33 anos, perdeu totalmente a calma e tentou entrar à força no Casv. Dois seguranças o impediram e Santos acabou cortando o braço na porta de vidro da entrada. "Estou esperando o visto desde o início do mês passado. Preciso estar em Nova York no dia 10 de janeiro. É uma viagem importante de negócios. E ninguém dá informação."

Preferência. Logo depois da confusão, às 17 horas, Christiano Garcia, funcionário do consulado, apareceu na porta do Casv. Informou que a partir daquele momento não atenderiam mais ninguém. O prédio estava lotado. Foi nesse instante que uma mulher disse que havia agendado o atendimento pela internet e estava desde o início da tarde na porta com a filha de 1 ano. Garcia não acreditou e a ignorou. A moça, percebendo o descrédito, levantou a filha no meio da multidão. Poucos minutos depois, ela foi chamada para entrar.

Grávidas e idosos encontraram a mesma dificuldade em ter tratamento diferenciado. Um senhor de mais de 70 anos só entrou depois de mostrar a prótese da perna. / VALÉRIA FRANÇA E NATALY COSTA

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