Hopi Hari vai reabrir domingo, após ficar fechado desde o dia 2

Fechamento ocorreu para que brinquedos passassem por perícia após morte de adolescente, em fevereiro

ROSE MARY DE SOUZA , ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h05

O parque de diversões Hopi Hari, na Rodovia dos Bandeirantes, em Vinhedo, interior de São Paulo, anunciou em nota oficial ontem que vai reabrir domingo, das 11h às 19h. O estabelecimento está fechado desde o dia 2, após acordo com o Ministério Público Estadual para que 14 brinquedos passassem por fiscalização.

Dia 24 de fevereiro, a adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, morreu ao cair do brinquedo La Tour Eiffel. Ela sentou em um cadeira que estava desativada há 10 anos.

Segundo a nota do Hopi Hari, o período de fechamento foi suficiente para atender às determinações firmadas pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. As atrações foram vistoriadas por uma força-tarefa composta por peritos do Ministério Público do Trabalho, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Corpo de Bombeiros e a empresa alemã TÜV SÜD Industrie Service, que faz auditoria em grandes parques do mundo.

A família de Gabriella afirma não ser contra a retomada das atividades do Hopi Hari, desde que os brinquedos não apresentem risco aos frequentadores.

Novo TAC. Mesmo com a reabertura do Hopi Hari, o Ministério Público está propondo um novo acordo com a assinatura de outro Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o parque.

Neste documento, que ainda está em fase de finalização, o MP solicita adequações e aperfeiçoamentos na manipulação dos brinquedos. O MP pede a adoção de procedimentos de segurança que incluem desde uma simples pintura de faixa de alerta até treinamento de funcionários, redução de ruídos e limpeza de vazamento de resíduos de óleo em rolamentos, entre outros itens.

Tragédia. Gabriella morava no Japão com os pais e passava férias no Brasil. No dia 24 de fevereiro, os três e mais uma prima foram ao Hopi Hari. Os quatro ocuparam o mesmo conjunto de assentos do La Tour Eiffel. A cadeira de Gabriella, porém, estava com a trava desativada e não poderia ser usada. A menina despencou de uma altura de cerca de 20 metros.

A polícia ouviu depoimentos dos funcionários do Hopi Hari que atuavam no brinquedo quando aconteceu a morte de Gabriella. Os cinco admitiram saber da trava desativada no assento da adolescente e disseram ter alertado os superiores sobre o problema. Mas entraram em contradição ao relatar o que cada um fazia na hora da tragédia e a quem caberia supervisionar a entrada.

O vice-presidente do Hopi Hari, Claudio Guimarães, afirmou que um conjunto de falhas sucessivas e somadas causou a tragédia. Ele afirmou que a direção do parque não soube que o assento que ficava travado estava abrindo. "A informação sobre o problema não chegou à direção", disse Guimarães.

O inquérito deve ficar pronto em 30 dias.

Acordo. Os advogados do Hopi Hari estudam um acordo com a família de Gabriella. O advogado da família, Ademar Gomes, cogita pedir indenização de R$ 2 milhões por danos morais e materiais. A informação sobre o acordo que deverá ser proposto para evitar uma ação judicial de indenização foi confirmada pelo advogado do Hopi Hari, Alberto Zacharias Toron.

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