Hopi Hari: laudo aponta falha humana

Instituto de Criminalística atribui morte de menina à trava solta de torre; promotor adianta que haverá denúncia por homicídio culposo

TATIANA FÁVARO / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h04

O Instituto de Criminalística (IC) de Campinas entregou ontem à Polícia Civil e ao Ministério Público de Vinhedo o laudo com a perícia feita no parque de diversões Hopi Hari, após o acidente que matou a adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, no dia 24 de fevereiro. Segundo informou o promotor Rogério Sanches, o documento aponta falha humana e indica que a trava da cadeira que a menina ocupou estava solta.

"Não há nada de novo ou que mude o curso do que temos até agora. O laudo só reforça tudo o que já foi falado e divulgado", ressaltou Sanches. Gabriella caiu de uma altura de aproximadamente 20 metros, do brinquedo La Tour Eiffel, um elevador com 69,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 23 andares. A garota morava no Japão e passava férias no Brasil.

Após a família mostrar uma fotografia de momentos antes do acidente à polícia e à Promotoria ficou claro que Gabriella se sentou em uma cadeira que não poderia ter sido utilizada, pois estava desativada.

Durante os depoimentos, o delegado recebeu informações de que os cinco operadores do brinquedo sabiam que, naquele dia, a trava que sempre esteve fechada para impedir o uso do assento estava aberta. Eles teriam avisado um superior e recebido ordem para continuar as atividades até que alguém da manutenção resolvesse o problema.

Inquérito. O laudo do IC era a peça que faltava para a conclusão do inquérito conduzido pelo delegado de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior. Após ouvir 15 testemunhas, incluindo funcionários de operação, manutenção, gerência e diretoria do parque, além de parentes da vítima e visitantes do Hopi Hari, Noventa Júnior deve terminar seu trabalho até a próxima semana. O delegado não foi localizado ontem para comentar o laudo.

O promotor Rogério Sanches disse que deve denunciar mais de uma pessoa por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), mas vai aguardar o término do inquérito policial e juntar as informações do IC, da polícia, do Ministério Público do Trabalho e de um inquérito civil conduzido pela promotora de direito do consumidor de Vinhedo, Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira.

"Há uma sequência de erros e provas, por meio de depoimentos, documentos e laudos", disse. O promotor terá 15 dias, após receber o inquérito, para apresentar a denúncia.

Parque. O advogado do Hopi Hari, Alberto Toron, afirmou que o laudo apenas reitera tese do parque. "O Hopi Hari sempre falou em uma sucessão de falhas humanas. Portanto, o laudo não traduz novidades."

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