Homossexual diz ter sido agredido em casa noturna

Maquiador acusa dois funcionários do estabelecimento na Rua Augusta por ataque homofóbico; clube diz que dupla foi afastada

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2013 | 02h02

Dois atendentes da casa noturna Lab Club, na Rua Augusta, no centro da capital, são acusados de agredir um cliente com ofensas homofóbicas. A ocorrência, na madrugada de sábado, teria incluído socos e pontapés, levando a vítima, o maquiador Guilherme Nutti, de 28 anos, a ficar com ferimentos. O caso foi registrado no 4.º Distrito Policial (Consolação) como lesão corporal dolosa - ou seja, com intenção.

Segundo Nutti, os ataques começaram depois de uma reclamação sobre um copo de vodka recebido do bartender, que teria vindo com menos volume do que o da dose convencional. "Então, o barman bateu o medidor no balcão e a bebida voou em mim. Nessa hora, xinguei-o, porque achei uma grosseria absurda." Em seguida, o funcionário teria agarrado o cliente pelo braço, apertando-o.

O empregado também teria chamado o maquiador de "bichinha escrota" e "veadinho bêbado". "Como ele estava me machucando muito, peguei a bebida de um colega e joguei nele." Nesse momento, Nutti diz ter tentado chegar à porta do bar, atrás dos seguranças, mas o bartender o segurou, dando-lhe um gancho e levando-o ao chão.

"Aí, ele começou a desferir socos no meu rosto. Outro bartender veio e os dois me chutaram e deram muitos golpes." O cliente usava óculos. Com os socos, a armação se quebrou. "A lente chegou a entrar na carne. Eu dei uma apagada nessa hora."

Nutti conta que chegou a ter o ombro deslocado. Além disso, seu nariz luxou com os golpes. Depois que o espancamento foi apartado por seguranças da casa noturna, uma bombeira do estabelecimento auxiliou a vítima.

Frequentador do Lab Club, o maquiador diz que nunca havia sofrido nenhum tipo de preconceito no local. Também afirmou não conhecer os bartenders que o agrediram. Sobre o que pode ter motivado o funcionário a destratá-lo, Nutti suspeita de intolerância. "Era nítido que ele estava com ódio de atender o público gay", acredita

Respeito a diferenças. Em nota divulgada ontem, o estabelecimento informa ter prestado "imediatamente" os primeiros atendimentos à vítima. Depois, um dos sócios da casa noturna "que estava presente no local no momento do incidente levou" Nutti para o Hospital Beneficência Portuguesa, "prestando todo tipo de auxílio necessário". A administração do estabelecimento divulgou ainda que esta foi "a primeira vez que um incidente do tipo aconteceu no clube, que promove treinamentos periódico" a seus funcionários.

As ações incluiriam a orientação para que eles sigam normas como o respeito a diferenças e o veto "a qualquer tipo de discriminação". Segundo o Lab Club, os dois barmen que praticaram a agressão "já foram afastados do clube e as medidas jurídicas cabíveis já estão sendo tomadas".

Imagem ruim. Para o ex-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, Xande Peixe, de 40 anos, que milita na causa de homens transexuais, notícias assim são "péssimas" para a cidade. "Se São Paulo é, de fato, um lugar de diversidade, isso tem de acabar. Isso repercute mal."

Peixe lembra que a capital tem uma das maiores paradas gays do mundo, além de um programa de combate à homofobia bem estruturado. "Portanto, a cidade já começa o ano com problemas. É péssimo para a sua imagem." Ele acredita que esse tipo de agressão só acabará quando houver penas mais severas para punir atos homofóbicos. "A lei tem de ser mais dura. Tem de ser mais radical. Não adianta nada só uma advertência."

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