Gabriela Biló / Estadão
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Homicídios têm 1ª alta em São Paulo desde dezembro de 2014

Avanço do nº de casos foi de 1,83% no Estado e de 7,41% na capital; para novo secretário, ‘é fotografia do momento’ e não uma tendência

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2016 | 18h20

SÃO PAULO - O número de casos de homicídios aumentou na capital e no Estado de São Paulo, segundo as estatísticas criminais divulgadas nesta quarta-feira, 25, pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). O último aumento nos números desse tipo de crime, que seguia em tendência de queda, havia acontecido em dezembro de 2014. 

Segundo a pasta, no Estado o aumento foi de 1,83% no número de casos de homicídio (que pode ter mais de uma vítima, como nas chacinas) na comparação com abril de 2015. Este ano foram 333 ocorrências, ante 327 em 2015. Na capital, o crescimento foi de 7,41% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 87 registros, ante 81.

O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, negou que exista tendência de aumento de casos de homicídios. Para ele, “a estatística revela apenas uma fotografia do momento” e, no geral, os números reforçam que os homicídios continuam em queda.

Mágino se refere aos dados do último quadrimestre. Se comparados ao mesmo período do ano passado, tanto no Estado como na capital, houve queda do número de casos. No Estado, a redução foi de 11,11%, caindo de 1.337 para 1.224 ocorrências. A taxa de homicídios ficou em 8,31 por 100 mil habitantes, a menor desde 2001, quando começou a contagem da série histórica. Na cidade de São Paulo, a redução foi de 17,11%, de 374 para 310 registros, também total mais baixo da série histórica.

Outro fato lembrado por Mágino foi que, embora tenha ocorrido aumento do número de caso, o total de vítimas foi menor. Em abril, 92 pessoas foram assassinadas na capital, ante 97 em abril de 2015; redução de 5,15%. No quadrimestre, a queda foi de 21,41%, de 411 para 323 vítimas, menor número desde 2001. No Estado, esse número caiu 3,06% em abril – de 359 mortos, em 2015, para 348 neste ano. No quadrimestre, a quantidade de vítimas caiu de 1.455 para 1.266, redução de 12,66% na comparação com 2015.

Nos demais municípios da Grande São Paulo também houve queda em abril – 70 pessoas mortas, ante 98 em abril de 2015. Os casos caíram 26,67%, de 90 para 66. No quadrimestre, a redução foi de 22,29%. 

Fatiado. Ao contrário do antecessor, o atual ministro da Justiça Alexandre de Moraes, o novo secretário paulista optou por não divulgar aos dados criminais de uma maneira “fatiada”. Na gestão de Moraes, alguns números que mostravam queda nas estatísticas criminais chegaram a ser divulgados primeiro; já alguns negativos só foram mostrados posteriormente.

“Particularmente, não vejo problemas em divulgar (as estatísticas criminais) de maneira parcelada. O importante é ressaltar que daremos sempre o máximo de transparência na divulgação dos dados criminais até o dia 25 de cada mês”, disse.

Outros crimes. O número de vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentou em abril, na capital. Foram 11 vítimas, ante 9 no ano passado (aumento de 2 casos). No quadrimestre, porém, houve queda de quatro casos, de 38 para 34 relatos. No Estado, a queda de latrocínios foi seis casos – caíram de 34 para 28, em abril. No quadrimestre, o número caiu de 120 para 109, redução de 9,17%.

Os casos de estupro também aumentaram em abril, na capital. Foram 173 vítimas, ante 167 no ano passado, crescimento de 3,59%. Já no quadrimestre houve redução de 2,97%. No Estado, a alta foi de 2,43%, passando de 742 para 760 casos em abril. Também houve aumento, no quadrimestre, de 3.164 para 3.242, alta de 2,47%. O secretário disse que assinou um acordo com as promotoras que investigam os crimes de violência doméstica (Gevid) para um trabalho de prevenção a violência contra mulheres, de forma a tentar diminuir os índices de estupro e outros crimes.

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