Homicídios caem pelo 2º mês em SP, mas estupros e crimes patrimoniais sobem

O Estado registrou 214 homicídios em abril, ou 18,9% a menos do que em 2020; em contrapartida, estupros sobem há cinco meses

Felipe Resk - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Pelo segundo mês consecutivo, São Paulo registrou queda de homicídios dolosos praticados no Estado, crime que vinha em tendência de alta desde o ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta terça-feira, 25, referentes a abril. Em contrapartida, houve aumento nas notificações de estupro e de crimes contra o patrimônio. Para a pasta, a alta de roubos e furtos estaria relacionada à maior circulação de pessoas e à reabertura de comércios com flexibilização de medidas contra a covid-19.

De acordo com a SSP, o Estado registrou um total de 214 homicídios em abril. Isso representa queda de 18,9% em comparação ao mesmo período de 2020, quando a polícia havia notificado 264 assassinatos em São Paulo. Em março, o índice já havia caído de 286 para 237, ou 17,1%.

Essa estatística informa especificamente o número de boletins registrados com a natureza criminal “homicídio doloso”, metodologia que considera casos com mais de um vítima ou até chacinas como uma ocorrência só. Em relação ao número de vítimas de assassinato, o índice oficial aponta 228 pessoas mortas em abril, o que significa um recuo menos expressivo, de 16,2% comparado a 2020.

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Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública Foto: Werther Santana/Estadão

As quedas consecutivas em março e abril contrariam a tendência que se observou em São Paulo, com aumentos no acumulado de 2020 e também nos meses de janeiro e fevereiro. No ano passado, o Estado registrou, ao todo, 2.893 homicídios - ou 4,1% a mais em relação a 2019 - a primeira alta em sete anos.

“Historicamente, os últimos 20 anos têm sido de queda dos homicídios em São Paulo. Em 2020 para cá, houve o que se chamada na estatística de estacionariedade: ora subia na capital, ora no interior, mas não teve constância em nenhum lugar”, afirma o secretário executivo da Polícia Militar, o coronel Alvaro Batista Camilo. “Acreditamos que os últimos resultados são uma retomada da queda mas que há espaço para reduzir ainda mais.”

Para o coronel Camilo, as estratégias para reduzir assassinatos envolvem outras áreas, além da segurança pública, e ações indiretas, como operações contra o tráfico de drogas, combate à alcoolemia e redução de armas de fogo. “É um crime multifatorial”, diz. Atualmente, as taxas de homicídio no Estado estão em 6,31 ocorrências e 6,65 vítimas para cada 100 mil habitantes, de acordo com a pasta, abaixo da média nacional.

Por sua vez, o registro de estupro aumentou pelo quinto mês seguido no Estado. Ao todo, foram 915 casos notificados em abril, ante 661 em 2020. A alta é de 38,4%. Destes, 724 foram praticados contra vítimas vulneráveis.

Para os crimes patrimoniais, o resultado das polícias de São Paulo foi pior em abril. Ao todo, houve 13 latrocínios (o roubo seguido de morte) registrados - um caso a mais do que no ano anterior.

Os assaltos, em geral, também subiram de 14.057 para 16.213 registros, ou 15,3%, na comparação entre os meses de abril. Já os furtos tiveram alta ainda mais acentuada: 56,1%. Foram 32.479 casos no mês passado, contra 20.797 no período equivalente de 2020.

Em compensação, nenhuma ocorrência de roubo a banco foi registrada no mês pela primeira vez da série histórica, segundo a SSP. Também não houve sequestros notificados.

Segundo o coronel Camilo avalia, o aumento de crimes contra o patrimônio pode estar ligado a dois fatores: os baixos índices do ano passado, com o isolamento social decretado por causa do início da pandemia, e o retorno de algumas atividades neste ano. “Com pouca gente circulando e o comércio fechado no ano passado, diminuíram os crimes de oportunidade”, diz. “Agora é o contrário. A volta de muito movimento nas cidades, com a reabertura de restaurantes e shoppings, gera mais oportunidade.”

O secretário destaca, ainda, que houve aumento de todos os indicadores de produtividade policial em abril. Entre eles, estão apreensão de entorpecentes (31,7%), prisões (13,1%) e veículos recuperados (6,5%). “Isso significa uma ação muito forte do Estado para evitar os crimes.”

Na capital, casos de homicídio ficam estáveis, mas nº de vítimas sobe

Já na cidade de São Paulo, o índice de homicídios foi exatamente igual ao de 2020, com 52 boletins de ocorrência registrados. Em relação às vítimas, houve aumento de 53 para 58 casos - ou 9,4%.

Também foram notificadas quatro ocorrências de latrocínio na capital, enquanto que não houve nenhum registro em abril de 2020. Já os roubos subiram de 8.125 para 9.132 (12,3%), e os furtos de 7.568 para 11.903 (57,2%).

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