MARIO ÂNGELO/SIGMAPRESS
MARIO ÂNGELO/SIGMAPRESS

Homicídios caem 40% na capital em janeiro

Balanço divulgado pelo secretário Alexandre de Moraes indica queda de 97 para 58 casos na comparação com janeiro de 2015

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 16h40

SÃO PAULO - O número de casos de homicídio teve queda de 40,21% no mês de janeiro deste ano, na comparação com janeiro de 2015, conforme a estatística oficial divulgada nesta terça-feira pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Os registros caíram de 97 para 58, conforme anunciou o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, durante evento no sindicato da habitação (Secovi). A queda acontece justamente quando o sigilo de dados de segurança pública é alvo de críticas.

A íntegra das estatísticas de criminalidade deve ser divulgada até esta quarta-feira. Desde o ano passado, o Estado tem optado por “fatiar” a divulgação de dados em alguns meses.

A queda do número de homicídios anunciada ontem é a maior da história, conforme Moraes. Levando em consideração não os casos, mas número de pessoas mortas, a redução divulgada pelo governo estadual é ainda maior: 42,16% - de 102 mortes para 59. Os registros de latrocínio - assalto seguido de morte - ficaram estáveis: 9.

“Tivemos o menor número de homicídios e o menor número de vítimas de homicídios desde que isso é contabilizado”, disse Moraes. “Isso vem mostrar que a segurança pública ainda tem muito o que fazer, obviamente, mas nós estamos no caminho certo. Conseguimos finalizar o ano de 2015 com todos os índices, na capital e no Estado, menores do que em 2014 e já começamos 2016, na capital, com ótimos índices.”

Moraes evitou, porém, avançar sobre explicações para queda tão acentuada. “Essa queda em janeiro foi realmente acentuada, maior até do que a média entre as quedas. Vamos continuar verificando mês a mês e a ideia é que continuem caindo”, afirmou, ao dizer que ainda iria analisar os dados. Mas elogiou o trabalho das polícias, apontando redistribuição de patrulhamento e monitoramento de locais com histórico de violência doméstica.

Sigilo. A redução das estatísticas criminais ocorre em meio a ações da gestão Alckmin que restringiram o acesso a pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação a dados de boletins de ocorrência. O governo alega a necessidade de preservar “dados pessoais” de vítimas e testemunhas.

O governo recuou, na semana passada, revogando a regra em alguns pontos e destacando análise caso a caso - mas manteve restrição a dados que contenham informações pessoais dos cidadãos. “Os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública são altamente confiáveis”, ressaltou o secretário.

O vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, por sua vez, diz que São Paulo “perde a chance” de comemorar uma queda acentuada “uma vez que esses dados não podem passar por auditoria externa”. Ele ainda questiona o anúncio paulista, ao divulgar homicídios sem falar de mortes em geral.

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