Homicídios aumentam no Estado de São Paulo e caem na capital

No Estado, o índice subiu 12,17%, de 304 para 341 registros na comparação do mês passado com outubro de 2015

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2016 | 17h36
Atualizado 25 Novembro 2016 | 21h28

Os homicídios cresceram no mês de outubro no Estado, puxados por aumentos no interior e na Região Metropolitana de São Paulo. O índice subiu 12,17%, de 304 para 341 registros, na comparação do mês passado com outubro de 2015. Na capital do Estado, no entanto, houve redução nesses registros. A queda foi de 11,59%, de 73 para 63 ocorrências, na comparação do mesmo período. Os roubos também subiram no Estado.

Para a Secretaria Estadual da Segurança Pública, no entanto, a alta das mortes não representa uma inversão da tendência de queda no registro desse delitos que vem ocorrendo nos últimos anos. “Não é uma tendência de aumento. O número de casos, no acumulado do ano, ainda é de queda. Apesar desse aumento, o número ainda é o segundo mais baixo de toda a série histórica”, disse o secretário da Segurança, Mágino Alves. 

Levando em consideração só a Grande São Paulo (os 38 municípios da região, com exceção da capital), o aumento nos casos de homicídio em outubro foi de 22,39%, de 67 para 82 casos. Já no interior, a alta foi de 17,86%, de 168 para 198 casos – sempre na comparação de outubro de 2016 com outubro do ano passado. O dado do interior conta também com o das cidades do litoral paulista. Também nessas regiões o total de casos deste ano, entre janeiro e outubro, ainda é menor do que os do mesmo período do ano passado. 

Segundo Alves, os registros desses crimes se deram de forma dispersa pelo Estado, sem que os técnicos da secretaria encontrassem uma área mais problemática. “Ele acontece de forma imprevisível. Estive em Aparecida em outubro e, ali, em um bar próximo da Via Dutra, houve uma briga em um bar e só naquele caso foram quatro mortes”, disse, buscando exemplificar essa imprevisibilidade. 

Outros crimes. Os crimes que mais preocupam as autoridades, nesse momento, são estupro e roubo de cargas. No primeiro, o total de estupros registrados teve variação para cima de 1,51% no Estado, mas houve aumento de 5,93% no acumulado de janeiro a outubro de 2016, na comparação com os dez primeiros meses de 2015. Alves afirmou que a secretaria estudou a elevação desse índice e comparou o total de casos com registros de importunação ofensiva ao pudor – uma contravenção. Os indicativos iniciais são de que a subnotificação do estupro, quando a vítima deixa de comparecer à delegacia e prestar queixa do crime, poderia estar diminuindo.

“As vítimas estão buscando fazer mais registros”, disse Alves. O secretário fez a afirmação sem apresentar nenhuma pesquisa de vitimização que confirmasse sua hipótese. Esse suposto movimento, especula o governo, estaria partindo das próprias vítimas, após a entrada em operação de duas Delegacias da Mulher em funcionamento 24 horas – uma no centro da capital e outra em Campinas, no interior. Já em relação ao roubo de cargas, que teve aumento de 22% na comparação com outubro de 2015, de 709 para 865 casos, se destacou que o porcentual de aumento foi menor do que nos meses anteriores. “Havia crescido 59%, depois 38%, e agora 22%”, disse o secretário, que voltou a relacionar o avanço nesses registros com a crise econômica. 

Roubos. Os roubos subiram 2,6% no Estado, de 27 mil para 27,8 mil ocorrências – é o 9.º aumento consecutivo. Também continuaram a crescer na capital, onde o índice aumentou 3,34%, de 13,7 mil para 14,2 mil na comparação entre outubro deste ano e o de 2015. Nessa área, a secretaria lança, na segunda-feira, um serviço em que o cidadão pode entrar no site da pasta e consultar se o celular que está sendo comprado (alvo preferencial) é roubado ou não, pelo código IMEI do aparelho. O site é www.ssp.sp.gov.br

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