Homicídio tem 7ª queda; roubo cresce em SP

No Estado e na capital paulista, crimes contra o patrimônio dispararam em outubro, o que pode ter levado à alta também de latrocínios

Laura Maia, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2013 | 15h23

Atualizado às 23h

SÃO PAULO - A crise de segurança que provocou a alta de homicídios em São Paulo entre 2012 e o começo deste ano parece no passado. O Estado registrou em outubro a sétima queda consecutiva nos assassinatos, na comparação com o ano passado. Já a capital paulista teve a quinta redução seguida. Ao mesmo tempo, no entanto, os roubos cresceram 18,9% no Estado e 23,1% na cidade, segundo dados divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública.

Em outubro, as taxas de homicídio no Estado tiveram a maior queda da série em relação ao ano passado: 22,4%. A diminuição é puxada principalmente pela capital, que teve diminuição de 28%, com 108 casos no mês passado. Comparando os primeiros dez meses do ano com o mesmo período de 2012, a capital acumula queda de 8,5%.

Em compensação, a piora nos crimes contra o patrimônio foi drástica em outubro. A capital teve aumento de roubos (sem contar de veículos) em 75 dos 93 distritos policiais. Foram 11.368 casos ao todo, uma média de 367 por dia. É o maior número desde janeiro de 2011, quando os dados mensais começaram a ser divulgados. Também aumentaram no período os casos de roubos de carros no Estado (21%) e na capital (25,5%). Nos dez primeiros meses do ano, o roubo de carro no Estado acumula alta de 11,4% na capital e de 5,5% no Estado. O crescimento acumulado dos roubos em geral é de 9% na capital e 6,4% no Estado.

E, quando os assaltos aumentam, os latrocínios seguem. Na capital, foram 12 casos de roubos seguidos de morte em outubro, o dobro em relação ao mesmo mês de 2012. No Estado, a alta foi de 38,1% - de 21 para 29 ocorrências.

Para o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, é necessária uma ação estruturante para o combate do crime contra o patrimônio. "O latrocínio é o roubo que não deu certo. À medida que nós conseguirmos avançar no combate ao roubo, principalmente ao de veículo, que representa 50% dos casos de latrocínio, estaremos também reduzindo os casos de latrocínio."

O secretário afirma que um desafio é acabar com os desmanches ilegais de carro. "Quando você tem um sistema de desmonte de veículos com uma regulação adequada para coibir a receptação, você inibe a prática criminosa. O mercado, às vezes, tem necessidade de peças de veículos usados, mas, se você não tiver um sistema autocontrolado e bem fiscalizado, você fomenta a receptação."

Crise. Coincidência ou não, outubro foi o primeiro mês em que se pode medir a crise que envolveu o anúncio do fim da isonomia dos salários de policiais civis e militares, ocorrida no fim de setembro. O programa do governo estadual provocou revolta entre os coronéis da PM, que chegaram a pregar a diminuição do empenho no patrulhamento cotidiano.

O número de flagrantes de tráfico de drogas, considerado medidor da atividade policial, acumula alta de 7,9% nos primeiros dez meses deste ano em todo o Estado, mas caíram 6,5% em outubro.

Apesar dos dados, o secretário de Segurança disse ontem que a polícia tem se empenhado. Ele citou o recorde de 141.536 pessoas presas de janeiro a outubro. / COLABOROU BRUNO PAES MANSO

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