Homicídio é um crime territorial e não está vinculado a raças

Homicídio é um crime territorial e não está vinculado a raças

Análise:

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

31 Março 2010 | 00h00

Mais do que um problema relacionado à raça, o homicídio no Brasil sempre se caracterizou por ser um tipo de crime vinculado ao território. Nas últimas décadas, as principais vítimas e autores de assassinatos foram homens, jovens, moradores de bairros com pouca infraestrutura urbana dos grandes centros metropolitanos.

Eles mataram e morreram por viverem em locais com grande quantidade de armas, marcados pela desordem. São territórios com frágil presença policial, vulneráveis à ação daqueles que estão dispostos a tentar exercer o domínio pela violência. Nesses ambientes, onde o desequilíbrio de forças é permanente, homens, jovens, que normalmente atuam no mundo do crime, pisam em ovos para não entrar em atritos com rivais, numa tensão constante sempre pronta a iniciar pequenas guerras territoriais.

Em primeiro lugar, portanto, é importante compreender que a elevada concentração de negros e pardos entre as vítimas de homicídio deve-se ao fato de ser alta a concentração dessa população nos territórios violentos.

Depois, outra informação relevante mostrada pela pesquisa confirma a tendência de redução concentrada de assassinatos em grandes centros urbanos. A Grande São Paulo, que puxou para baixo os índices de violência no País, foi o principal exemplo. Em 2008 e 2009, Minas Gerais e Pernambuco também conseguiram diminuir seus índices, executando medidas que já haviam dado certo em cidades como Nova York, Bogotá, Medellín e São Paulo.

Nesse sentido, ganha força uma das grandes novidades em política pública que se consolidou ao longo dessa década. Ao contrário do que sempre se imaginou, o homicídio pode ser combatido em curto prazo. Para reduzir as taxas, não é preciso, antes, distribuir a renda ou acabar com a miséria. A primeira prova veio no fim da década de 1990, em Nova York, experiência replicada com sucesso em outros lugares.

Restabelecer o controle territorial ou a sensação de desordem pela maior presença do Estado é o primeiro passo para estancar a sangria. Em Nova York e em São Paulo, o esforço na prisão de homicidas contumazes e a apreensão de armas de fogo, a partir de batidas policiais, foram duas iniciativas importantes para passar a mensagem de que o Estado de Direito começava a retornar à antiga terra de ninguém.

Não é à toa que o Estatuto do Desarmamento, de 2003, lei que permitiu a prisão inafiançável daqueles que portavam armas ilegais, foi o principal marco da redução dos assassinatos em São Paulo e no Brasil.

PONTOS-CHAVE

Raio X dos assassinatos

Por cidades

As mais violentas são Jurema (MT, 139 mortes por 100 mil habitantes); Nova Tebas (PR, 132 por 100 mil); Tailândia (PA, 128,4); Guaira (PR, 106,6, na foto) e Coronel Sapucaia (MS,103,) A capital com maior taxa de homicídios é Maceió, com 97,4 registros para cada 100 mil habitantes. Em seguida vem Recife, com 87,5 assassinatos por 100 mil e Vitória, com 75,4 por 100 mil

Por renda

Quanto maior a diferença de renda, maior a taxa de homicídio."A concentração de renda tem um peso de determinação nas taxas gerais de homicídios de quase 48%", afirma o estudioso Jacobo

Por sexo

Os números do trabalho mostram ainda que a maioria dos assassinatos no País ocorre entre a população masculina. Em 2007, 92,1% dos homicídios foram cometidos contra homens; 93,9% entre jovens. O Espírito Santo foi o Estado que apresentou maior taxa de homicídios entre mulheres: 10,3 por 100 mil

É REPÓRTER DE CIDADES DE O ESTADO DE S. PAULO

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