Homicídio deixa de ser 'epidemia' em SP

Taxa fica abaixo de 10 casos por 100 mil habitantes no 1º trimestre; com exceção da área de Piracicaba, queda foi generalizada no Estado

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Os homicídios deixaram de ser uma epidemia em São Paulo. Pela primeira vez, a taxa desse crime no Estado começou o ano abaixo do nível de 10 casos por 100 mil habitantes, acima do qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o crime se tornou epidêmico. Os números divulgados pela Secretaria da Segurança Pública ontem mostram que ocorreram 992 assassinatos no primeiro trimestre, o que fez a taxa ficar em 9,52 por 100 mil habitantes.

O resultado foi comemorado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que o havia estabelecido como uma de suas principais metas para a segurança pública no atual governo. O governador fez o anúncio do resultado pela manhã, ao mesmo tempo em que informava que os dados criminais passariam a ser divulgados de forma mensal, e não mais por trimestre. "Pela primeira vez em toda a série histórica, o Estado de São Paulo atende aos índices da OMS", disse.

De fato, a queda foi generalizada no Estado (-18,9%), com diminuição de homicídios na capital (-41,4%) e no interior (-7,8%) em comparação com o mesmo período de 2010. Houve apenas uma exceção: a região do departamento de polícia de Piracicaba, onde o aumento foi de 89%.

A curva dos homicídios no Estado, que parecia ter parado de cair em 2010, voltou a mostrar tendência de queda. "Não vamos nos acomodar com esse resultado. Precisamos aumentar a qualidade dos inquéritos para conseguir a efetiva condenação dos autores desses crimes", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima.

A taxa desse tipo de crime na capital ficou em 7,8 por 100 mil habitantes. Foram 220 casos na cidade, que registrara 376 assassinatos no primeiro trimestre de 2010, o único de aumento desse delito nos últimos dez anos - 22,9% a mais do que em 2009.

Novas prioridades. No caso do departamento de polícia com sede em Piracicaba, a polícia já sabe que o aumento aconteceu por causa das regiões de Americana (100% de aumento) e de Rio Claro (crescimento de 4 casos para 13 homicídios). Santa Bárbara (5 casos), Americana (6 casos), Hortolândia (11 mortes) e Sumaré (15 delitos) concentraram a maioria dos casos. "Contra isso, vamos priorizar as apreensões de armas de fogo e a prisão dos autores dos crimes", disse o delegado-geral.

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