Homicídio cresce em janeiro, mas PM vê sinal de queda

Segundo comandante-geral, assassinatos subiram na comparação com janeiro de 2012, mas caíram 25% em relação a dezembro

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2013 | 23h45

O comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, disse nesta sexta-feira, 1º, que o número de homicídios em janeiro subiu de 4% a 6% em comparação como o mesmo período de 2012, mas teve redução de 25% em relação a dezembro, o que indica, segundo ele, uma tendência de queda. A informação sobre o número de assassinatos foi dada em entrevista à Rádio Estadão.

Meira assumiu o comando da PM em novembro, em meio à onda de violência que fez com que São Paulo voltasse à zona epidêmica de homicídios (mais de 10 por 100 mil habitantes) - atualmente, tem 11,5 para 100 mil. A crise derrubou também o então secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto.

O comandante ressaltou que os porcentuais de janeiro são preliminares - o total será consolidado até o fim do mês -, mas afirmou que já mostram um resultado positivo da intervenção em áreas de concentração de mortes no ano passado, principalmente na periferia, por meio da presença da Força Tática, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do 2.º Batalhão de Choque. "Desenvolvemos vários tipos de ações, a principal é a operação visibilidade. O que a população espera da polícia? Duas coisas básicas - polícia na rua e pronta resposta. É ligar para o 190 e a viatura chegar em tempo razoável para atender."

Chacinas. Meira negou que policiais militares sejam vetor de violência na periferia ou que os assassinatos em que se envolveram sejam suficientes para fazer aumentar significativamente o número de homicídios. Foi já durante sua gestão que PMs cometeram a primeira chacina de 2013, com sete mortos e dois feridos no Jardim Rosana, zona sul - seis policiais do 37.º BPM já foram presos pelo crime, em investigação que teve participação da Corregedoria da PM, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Polícia Científica. "Quero que a população acredite que a grande maioria dos policiais é formada por pessoas de bem, vocacionadas para fazer a coisa certa. Infelizmente, esse grupo minoritário que se predispõe a praticar condutas criminosas acaba prejudicando a imagem de todos."

Segundo Meira, nos últimos dois meses 26 PMs (incluindo 3 oficiais) foram presos sob acusação de praticar assassinatos ou se envolver em ocorrências suspeitas, o que demonstraria a disposição da corporação em punir quem comete crimes. "Tem duas coisas que não gosto, mas sou obrigado a fazer, que é enterrar policiais mortos em serviço e prender policiais."

Para o comandante, a guerra de 2012, que causou também a morte de 106 PMs, foi provocada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). "Aconteceu por causa de ações pontuais da polícia, que desarticulou a logística da facção, especificamente de drogas." Meira considera o tráfico vetor de violência e, para combatê-lo, acha necessário ter apoio do governo federal - no controle de fronteiras - e da Prefeitura - no tratamento de viciados em crack, já que muitos furtam e roubam para manter o vício.

Cautela. Especialista em segurança, José Vicente da Silva considerou a redução de janeiro em relação a dezembro significativa, mesmo para um único mês, mas acha que é preciso cautela para apontar uma tendência. "Precisamos de pelo menos um trimestre. O ideal são três trimestres. Há uma dinâmica social e criminal muito própria nisso." Silva disse que o combate contra o crime e as prisões feitas no ano passado (10% mais que em 2011) podem estar surtindo efeito agora. Mas cita também uma mudança de mentalidade no comando. "A experiência do coronel Meira no interior o tornou mais próximo da tropa e da comunidade."

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