Homicídio cai 30%, mas roubo de veículo sobe 39% em São Paulo

Foi a maior queda de assassinatos e a maior alta do crime contra o patrimônio no ano na capital paulista e na média do Estado de SP

Daniel Trielli e Edison Veiga - O Estado de S. Paulo,

24 Dezembro 2013 | 16h05

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) comemora, neste Natal, a maior queda de homicídios do ano: os 101 casos registrados na capital paulista em novembro representam uma redução de 29,9% em relação ao mesmo mês de 2012. Mas entre os crimes contra o patrimônio, a situação é oposta. O aumento nos roubos de veículos na capital (38,8%) foi o maior do ano. Os roubos em geral (que não incluem os de carros) subiram 19,6%.

Entre os homicídios, a média estadual seguiu a tendência de diminuição recorde no ano, com queda de 25,3% (de 471 para 352 ocorrências). Em nota, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, diz que a redução dos índices é resultado de reuniões entre chefes das polícias e criação do Relatório Analítico Gerencial de Segurança Pública (Regisp), uma ferramenta online que permite que os policiais civis e militares enxerguem facilmente o histórico de crimes em cada área.

"São ações que visam, principalmente, às áreas de inteligência, investigação e integração entre as polícias. Só assim poderemos combater a criminalidade de forma eficiente", afirmou Grella.

Especialista em segurança pública e privada, Jorge Lordello diz que a queda demonstra a estratégia atual de diminuição de crimes contra a pessoa. "Quando o atual secretário assumiu, ele deixou bem claro que o plano de ação dele era trabalhar a parte investigativa." Segundo Lordello, é o investimento nessa área, e não o patrulhamento ostensivo, que reduz os assassinatos. "É identificar e prender homicidas. É a maneira de tirar do mercado alguém que tem a volúpia de matar e gerar, no meio criminoso, o exemplo da punição."

No entanto, é importante notar que a queda recorde vem de uma comparação com um mês violento: novembro do ano passado teve 144 homicídios: um aumento de 50% em comparação ao mesmo mês de 2012 (96 ocorrências). Lordello, no entanto, afirma que mesmo com essa distorção a queda dos homicídios é notável. "Todos os outros meses do ano vêm apresentando queda nesse tipo de crime. Então, é uma tendência. Estatísticas criminais sempre são contínuas, para baixo ou para cima."

Patrimônio. Mas, enquanto os homicídios caem, os roubos (tanto de veículos e outros) aumentaram pelo sexto mês seguido. Na capital paulista, foram 4.550 veículos furtados em novembro, ou uma média de um a cada dez minutos. No Estado, a alta de roubo de veículos foi de 32,4% na comparação entre novembro de 2013 com 2012.

Para Lordelo, é difícil combater esse tipo de crime porque o ladrão não conhece a vítima. "Ele simplesmente sai com a missão de roubar determinado tipo de carro. Vai ficar rodando até encontrar."

Segundo o especialista em segurança, o motivo da alta dos roubos de veículos é mercadológico. "Há uma explicação curiosa, principalmente sobre furto e roubo de veículos. Toda vez que o mercado legal de algum produto está aquecido, imediatamente há um acréscimo no mercado ilegal. Nos últimos anos houve um boom de venda de carros no Brasil."

Por isso a SSP afirma que foi importante que a Assembleia Legislativa tenha aprovado, no dia 20, do Projeto de Lei 885/2009, que cassa o registro fiscal estadual de estabelecimentos que tenham adquirido, distribuído, transportado, estocado ou revendido produtos de furto e roubo, como, por exemplo, peças de carros.

"Esta é uma medida estruturante, que quebra o elo da cadeia do crime", diz Grella. "Os desmanches são um elo fundamental no ciclo econômico da criminalidade, pois são o destino da maioria dos veículos roubados", afirma o secretário.

Latrocínios. O aumento de roubos fez aumentar o número de latrocínios. De janeiro a novembro, 129 pessoas foram mortas durante assaltos na capital, um aumento de 33% sobre 97 casos do ano passado. No Estado também houve alta, de 9,6% (de 313 para 343 ocorrências). "O latrocínio é o roubo que não deu certo, é o assalto em que a vítima reagiu ou o marginal se atrapalhou com a arma", explica Lordello.

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