Homicídio avança 2.630% e Estado é o que menos prende

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h01

Apesar do boom econômico vivido pela Bahia na última década, da chegada de grandes indústrias e da criação de 28 câmpus universitários pelo Estado, houve clara regressão na área da segurança pública. Alguns números ajudam a dar uma ideia de como o setor foi abandonado pelos governos baianos. A evolução dos assassinatos já é um termômetro. Até 1983, Salvador e as 11 cidades da região metropolitana eram as mais pacíficas do Brasil, com taxas europeias de 2,2 homicídios por 100 mil habitantes. A situação começou a degringolar em 2003 e chegou a 2010 com 60,1 assassinatos por 100 mil habitantes, aumento de 2.630%. O Estado é ainda o que tem a menor proporção de presos entre as 27 unidades da federação, empatando com o Maranhão na última posição, com 92 detentos por 100 mil habitantes. São Paulo - o Estado que mais reduziu os assassinatos na última década - tem 538 presos por 100 mil.

A Bahia fica ainda na 21.º posição em investimentos em segurança pública, com R$ 140 por habitante. Secretária de Segurança Pública entre 1999 e 2003, a delegada Katia Alves afirma que existem hoje bairros no Estado onde a polícia não entra e traficantes expõem suas armas em público. Segundo Katia, na semana passada uma família foi expulsa de uma favela por bandidos porque recebeu em casa, durante uma festa, quatro policiais à paisana. "A polícia, em vez de proteger os direitos dessa família, a ajudou a sair da favela", conta. A chegada do crack e a disseminação dos pontos de vendas são apontadas como causas dessa violência. A baixa resolução dos homicídios também contribui.

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