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Homens acusam seguranças do Parque do Ibirapuera de agressão e homofobia

Violência teria começado depois que um deles presenciou os agentes 'espantando' meninos que supostamente estariam se beijando. Prefeito Fernando Haddad determina abertura de duas sindicâncias

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2014 | 20h17

SÃO PAULO - Dois rapazes acusam seguranças terceirizados do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, de homofobia e agressões físicas após uma discussão na noite deste domingo, 23. Um deles, ferido com cassetete nas costas, registrou boletim de ocorrência.

As agressões tiveram início por volta das 21 horas, depois que o dono de pizzaria Bill Santos, de 37 anos, testemunhou vigilantes correndo atrás de jovens com pedaços de pau e cassetetes nas mãos. Segundo ele, os agentes queriam "espantar" os garotos - alguns dos quais seriam menores de idade -, alegando que eles agiam de maneira obscenas em um ponto próximo da entrada, na Avenida República do Líbano.

"Se, de fato, teve alguma coisa errada, eles deveriam ter tomado as providências legais, chamado a polícia e feito um B.O. de atentado ao pudor", afirma Santos. "Não é agredindo que se coíbe esse tipo de situação."

De acordo com ele, os seguranças tentaram forçá-lo a correr também, mas ele se recusou. "Não fiz nada errado, e ver aquilo foi chocante. Por isso fiquei onde estava. Para eles, gays se beijando é obsceno. É homofobia geral na cabeça." Santos tentou argumentar com os vigias, mas eles pediram reforço e mais cinco vigilantes chegaram, além de uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM) - a GCM está subordinada à Secretaria Municipal da Segurança Urbana. Esses agentes também proferiram xingamento homofóbicos, segundo os relatos, e a guarda não coibiu os atos de excesso.

Sentindo-se acuado, Santos passou a pedir socorro e a chamar a atenção de outras pessoas. Uma delas foi o garçom Erivando Francisco, de 30 anos. Nesse momento, outro homem disse que denunciaria os agentes ao diretório do PT. "Aí foram para cima desse rapaz. Pensando que fossem agredi-lo, peguei o celular e tentei gravar. Foi nessa hora que chegou um segurança por trás e me bateu com cassetete nas costas, falando para eu desligar", diz Francisco.

Temendo novas agressões, ele e Santos se afastaram e seguiram para o 14.º Distrito Policial (Pinheiros), onde Francisco registrou um B.O. por lesão corporal. Como ele não sabe exatamente qual vigia lhe bateu, o boletim foi registrado sem autoria conhecida. Francisco passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) e pretende abrir um processo contra a administração do parque ou a empresa terceirizada responsável pela vigilância.

A ocorrência foi meses depois de a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) ter fechado, durante a noite, o "autorama" do Ibirapuera, local que ficou conhecido por supostos casos de prostituição de menores e tráfico de drogas.

Prefeitura. Em nota, a Prefeitura informou que, "ao tomar conhecimento do incidente no Parque do Ibirapuera na noite de domingo, o prefeito Fernando Haddad deu ordem para a abertura imediata de duas sindicâncias, uma no âmbito da Secretaria do Verde, para investigar a acusação de agressão contra frequentadores do local por parte dos seguranças particulares, e outra no âmbito da Secretaria de Segurança Urbana, para apurar a conduta dos Guardas Civis Metropolitanos, que foram acionados para atender a ocorrência".

Ainda segundo o texto, "caso sejam confirmadas as acusações de agressão e omissão, respectivamente, a administração municipal punirá os responsáveis com as medidas cabíveis, informou o Município. A Prefeitura de São Paulo condenou a violência contra a população de LGBT e afirmou que as vítimas receberam apoio do Centro de Combate à Homofobia com assistência psicossocial e para o registro de boletim de ocorrência. A Coordenação de Políticas para LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos também foi acionada para acompanhar as sindicâncias".

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